Advogado preso por estupro em motel tem cadastro suspenso na OAB-AC após processo ético-disciplinar
Advogado preso por estupro tem cadastro suspenso na OAB-AC

Advogado preso por estupro em motel tem cadastro suspenso na OAB-AC após processo ético-disciplinar

O advogado Aluísio Veras de Almeida Neto, de 42 anos, preso em flagrante na última segunda-feira (16) por suspeita de estupro e cárcere privado dentro de um motel de Rio Branco, teve seu cadastro suspenso na Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Acre (OAB/AC). A entidade divulgou uma nota de esclarecimento na quarta-feira (18) destacando que instaurou um processo ético-disciplinar para apurar possíveis infrações à conduta profissional do advogado.

Detalhes da prisão e investigação

Aluísio Veras Neto foi preso após um jovem peruano, de 18 anos, acionar a Polícia Militar (PM-AC) afirmando que estava sendo impedido de sair do quarto e que havia sido abusado sexualmente. A prisão preventiva foi decretada em audiência de custódia na terça-feira (17). Segundo o delegado Samuel Mendes, ao chegar no local, a PM-AC encontrou o rapaz e o advogado trancados no banheiro.

"Chegando ao local, os policiais foram constatar a situação, conversar com a gerência e perguntaram se estava tudo ok. A priori estava, mas, por segurança, foi feito contato em cada um dos quartos e quase todos atenderam, exceto um. A porta estava aberta. Não viram ninguém, mas perceberam que a porta do banheiro estava trancada", contou o delegado.

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Ele relatou ainda que a equipe tentou negociar a abertura da porta, mas não houve sucesso. A porta precisou ser arrombada e os policiais encontraram o rapaz chorando dentro do box do banheiro e Aluísio próximo à pia. A vítima contou à polícia que marcou de encontrar com Aluísio no motel por um aplicativo de encontros. De acordo com o jovem, a proposta inicialmente era para consumir bebidas alcoólicas, contudo, o advogado tentou manter relações sexuais.

Processo ético-disciplinar da OAB-AC

A OAB destacou que o procedimento seguirá o Estatuto da Advocacia e garantirá ao investigado o direito ao contraditório e à ampla defesa. "Paralelamente — e com igual seriedade — a OAB/AC adotou as providências internas para uma apuração responsável dos fatos e de suas eventuais implicações ético-disciplinares", destacou a entidade em nota.

A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Acre (OAB/AC) vem a público prestar esclarecimentos acerca de fatos amplamente noticiados pela imprensa envolvendo advogado regularmente inscrito nesta Seccional que fora preso em flagrante em decorrência da possível prática de crime sexual. Desde a primeira comunicação formal sobre a ocorrência, a OAB/AC atuou de maneira imediata e institucional para assegurar a observância das prerrogativas profissionais, nos termos da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia).

Caso anterior de morte suspeita

Além do caso mais recente, o advogado já havia sido indiciado pela Polícia Civil pela morte de David Weverton Matos Araújo, ocorrida em julho de 2025, no mesmo motel. O inquérito foi concluído e enviado ao Judiciário ainda no ano passado. Segundo o delegado Leonardo Ribeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Aluísio alegou à época que não se recordava do que teria acontecido com a vítima.

A atendente de loja Lucileila da Silva Matos, de 51 anos, mãe de David, decidiu falar e pedir justiça pela morte do filho. Ela contou que ele foi encontrado morto no pátio do mesmo motel onde Aluísio foi preso.

"Quando vi a prisão, entendi que era minha vez de falar e, mesmo que não vá trazer mais meu filho de volta, sinto que a justiça de Deus está sendo feita. Quero que ele pague pelo que fez com meu menino", disse Lucileila.

Compromisso institucional da OAB-AC

Por fim, a OAB/AC reafirma seu compromisso indissociável com a moralidade, a verdade, a responsabilidade institucional e o respeito incondicional à Constituição, atuando com equilíbrio: garantindo prerrogativas quando necessário e, com igual rigor, adotando as medidas institucionais indispensáveis à proteção da advocacia e da sociedade. O g1 não conseguiu contato com a defesa do suspeito para comentários adicionais sobre o caso.

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