Advogada argentina é presa por injúria racial em bar de Ipanema, no Rio
Advogada argentina presa por racismo em bar do Rio

Advogada argentina é presa por injúria racial em bar de Ipanema, no Rio

A Polícia Civil efetuou a prisão preventiva da advogada e influencer argentina Agostina Páez, de 27 anos, nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026. A detenção ocorreu em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, e ela foi encaminhada para a 11ª DP (Rocinha). O mandado de prisão foi expedido após a 37ª Vara Criminal aceitar a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), motivada por risco de fuga da acusada.

Contexto do caso e medidas anteriores

Agostina Páez já estava sob medidas cautelares desde 17 de janeiro, quando teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica. Na semana seguinte, ela foi formalmente indiciada pelo crime de injúria racial, que é equiparado ao crime de racismo no Brasil, com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. A advogada nega veementemente as acusações e, em um vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira, 5 de fevereiro, alegou que seus direitos estavam sendo violados e que estava sendo usada como exemplo.

No vídeo, Páez expressou desespero e medo, afirmando: Estou desesperada, morrendo de medo, e faço este vídeo para que a situação que estou vivendo ganhe repercussão. Ela também manifestou preocupação de que a situação pudesse se agravar devido às suas declarações públicas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Detalhes do incidente racista

O caso remonta a 14 de janeiro, quando a turista argentina se envolveu em uma discussão com o gerente de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio. A briga teria começado por um suposto erro no pagamento da conta. A vítima das ofensas, ao verificar as imagens das câmeras de segurança, solicitou que Páez permanecesse no local até a resolução do conflito.

Foi nesse momento que os xingamentos racistas começaram, sendo gravados por um funcionário do estabelecimento. Segundo as investigações, a advogada chamou um dos trabalhadores do bar de negro em sentido pejorativo e, ao deixar o local, proferiu a palavra mono (que significa macaco em espanhol). Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Páez, já na rua, imitando sons e movimentos de um macaco, enquanto uma amiga tenta levá-la embora.

Desdobramentos legais e envolvidos

Além de Agostina Páez, uma amiga da argentina também foi indiciada por falso testemunho em sede policial, ampliando as consequências jurídicas do caso. As autoridades destacam que o crime de injúria racial é tratado com severidade no país, refletindo o compromisso do sistema judiciário em combater atos de discriminação.

O MPRJ havia solicitado anteriormente a prisão da advogada, argumentando sobre a gravidade dos gestos racistas e a necessidade de garantir a aplicação da justiça. A decisão judicial pela prisão preventiva reforça os riscos de fuga, considerando a nacionalidade estrangeira da acusada.

Este incidente ocorre em um contexto de crescente atenção pública a casos de racismo no Brasil, especialmente em ambientes urbanos como o Rio de Janeiro, onde a diversidade cultural é marcante. A prisão de Páez serve como um alerta sobre as consequências legais de comportamentos discriminatórios, mesmo para estrangeiros em território brasileiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar