Justiça do Rio autoriza apreensão de adolescente foragido por estupro coletivo em Copacabana
Adolescente foragido por estupro coletivo em Copacabana tem busca autorizada

Justiça do Rio autoriza apreensão de adolescente foragido acusado de estupro coletivo em Copacabana

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou, nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, um mandado de busca e apreensão contra um adolescente de 17 anos, acusado de participar de um estupro coletivo ocorrido em Copacabana. O jovem, que não pode ter sua identidade divulgada por ser menor de idade, não foi localizado em sua residência e é considerado foragido pelas autoridades. Ele é investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro, em um caso que tem gerado ampla repercussão na cidade.

Quatro adultos já se entregaram à Justiça

Enquanto o adolescente permanece foragido, os outros quatro indiciados no caso – Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier, 19 anos, e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos – já se entregaram voluntariamente à Justiça. A movimentação judicial ocorre após uma mudança de entendimento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que agora opina favoravelmente à internação do menor, diante de novas denúncias de violência sexual contra os investigados.

Anteriormente, o MPRJ havia discordado da Polícia Civil e se posicionado contra a medida socioeducativa para o adolescente, embora tenha apoiado a prisão preventiva dos adultos envolvidos. O menor, supostamente ex-namorado da vítima, teria atraído a adolescente de 17 anos para um apartamento em Copacabana, propriedade do pai de Vitor Hugo, filho de José Carlos Simonin, ex-subsecretário da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, que foi exonerado do cargo após a repercussão do caso.

Detalhes do crime e investigações

O crime teria ocorrido em 31 de janeiro de 2026. Segundo relatos, o menor teria sugerido que a vítima levasse uma amiga, mas ela afirmou que não conseguiu ser acompanhada e não viu problema em ir sozinha. Imagens de câmeras de segurança mostram que os quatro adultos chegaram ao apartamento antes da vítima, que foi avisada no elevador que os amigos do rapaz estavam no local e poderiam fazer “algo diferente”. Ela recusou a proposta inicialmente.

Mais tarde, enquanto mantinham relação sexual, os quatro homens entraram no quarto. Após insistência do adolescente, a vítima aceitou que eles permanecessem no cômodo, desde que não a tocassem. No entanto, segundo seu depoimento, eles não respeitaram a decisão, tiraram a roupa e começaram a apalpá-la. Em seguida, forçaram-na a fazer sexo oral e foi penetrada por todos eles, que também a chutaram, socaram e estapearam. A adolescente tentou sair, mas foi impedida pelos agressores.

O relatório policial indica que, após a vítima deixar o edifício, o menor é visto fazendo gestos de comemoração aos amigos. A vítima procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar a queixa e realizou exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal. Manchas nas regiões dorsal e glútea também foram localizadas, e materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.

Medidas judiciais e consequências

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com denúncia por estupro com concurso de pessoas, e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes. No sábado, 28 de fevereiro, a polícia deflagrou a operação “Não é Não” para cumprir as ordens, mas nenhum dos quatro jovens foi encontrado inicialmente, levando-os a se entregarem posteriormente.

Em meio à repercussão do caso, instituições educacionais e esportivas tomaram medidas contra os acusados:

  • A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastaram o menor de idade e Vitor Hugo.
  • A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe.
  • O Serrano Football Club afastou João Gabriel e rompeu o contrato com o atleta.

O caso continua sob investigação, com as autoridades empenhadas em localizar e apreender o adolescente foragido, enquanto a sociedade acompanha atentamente os desdobramentos desta grave violência sexual.