Adolescente acusado de estupro coletivo faz declaração chocante em vídeo obtido pelo Fantástico
Um vídeo gravado pelo adolescente de 17 anos acusado de estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, revela uma conversa dos réus em tom de deboche no elevador do apartamento onde o crime teria ocorrido. Na gravação, realizada na noite do suposto delito, o menor afirma: "A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje...". As imagens foram obtidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, e divulgadas no último domingo, 8 de março de 2026.
Entrega dos acusados e mudança de entendimento do Ministério Público
Na última sexta-feira, 6 de março, o adolescente se entregou na 54ª Delegacia de Polícia de Belford Roxo. Por ser menor de idade, ele é investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro. A movimentação ocorreu após o Ministério Público do Rio de Janeiro mudar de entendimento e opinar favoravelmente à internação do adolescente, diante de novas denúncias de violência sexual contra os investigados.
Anteriormente, o MPRJ havia discordado da Polícia Civil e sido contrário à medida socioeducativa, embora tenha apoiado a prisão preventiva dos adultos envolvidos. Na semana passada, os quatro adultos acusados – Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier, 19 anos, e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos – também se entregaram à Justiça após dias foragidos.
Detalhes do crime ocorrido em 31 de janeiro
O crime teria acontecido em 31 de janeiro. Segundo as investigações, o menor teria sugerido que a vítima levasse uma amiga, mas a adolescente disse que não conseguiu ser acompanhada e que não via problema em ir sozinha ao apartamento. Imagens de câmeras de segurança mostram que os quatro adultos chegaram ao local antes da vítima.
No elevador, a adolescente foi avisada que os amigos do rapaz estavam no apartamento e poderiam fazer "algo diferente". Ela recusou a proposta. Mais tarde, enquanto mantinha relação sexual com o menor, os quatro entraram no quarto. Após insistência do adolescente, ela aceitou que eles permanecessem no cômodo desde que a não tocassem.
De acordo com o depoimento da vítima, eles não respeitaram a decisão, tiraram a roupa e começaram a apalpá-la. Em seguida, forçaram que fizesse sexo oral e foi penetrada por todos eles, que também a chutaram, socaram e estapearam. A adolescente tentou sair, mas foi impedida pelos agressores.
Exame de corpo de delito e medidas judiciais
A vítima procurou a 12ª DP de Copacabana para registrar a queixa. Ela realizou exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal. Manchas nas regiões dorsal e glútea também foram localizadas.
Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com a denúncia por estupro com concurso de pessoas. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
No sábado, a polícia deflagrou a operação "Não é Não" para cumprir a ordem, mas nenhum dos quatro jovens foi encontrado na ocasião. O relatório policial afirmou que, depois da vítima deixar o edifício, o menor é visto fazendo gestos de comemoração aos amigos.
Repercussão institucional e afastamentos
Em meio à repercussão do caso, a Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastou dois dos jovens acusados: o menor de idade e Vitor Hugo Oliveira Simonin. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe dos Santos Allegretti.
O Serrano Football Club, por sua vez, afastou João Gabriel Bertho Xavier e rompeu o contrato com o atleta. As instituições demonstraram zero tolerância às acusações graves de violência sexual, reforçando a importância do combate a esse tipo de crime na sociedade.



