Um empresário foi condenado a 27 anos de prisão em regime fechado pela morte de um idoso de 77 anos, ocorrida após uma agressão com um chute, popularmente conhecido como "voadora", no litoral de São Paulo. O julgamento por júri popular de Tiago Gomes de Souza terminou na madrugada desta quarta-feira (14), no Fórum da Barra Funda, na capital paulista.
Detalhes do crime que chocou Santos
O crime aconteceu no dia 8 de junho de 2024, na Rua Pirajá da Silva, no bairro Aparecida, em Santos. De acordo com as investigações e o relato do neto de 11 anos da vítima, César Fine Torresi e o menino atravessavam a rua entre os carros, pois o trânsito estava parado. Tiago, que dirigia um dos veículos, freou bruscamente.
O idoso, para não cair, se apoiou no capô do carro. Nesse momento, o motorista saiu do veículo e desferiu um violento chute no peito de César. A cena foi registrada por câmeras de monitoramento e gerou grande comoção entre as pessoas que passavam pelo local.
O agressor fugiu para um mercado nas proximidades, mas foi localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar. A vítima, desacordada, foi atendida pelo Samu e encaminhada à UPA Zona Leste, onde sofreu três paradas cardíacas e não resistiu.
Julgamento e condenação por homicídio qualificado
A audiência do júri popular começou na tarde de terça-feira (13) e se estendeu até a madrugada do dia seguinte devido ao grande número de testemunhas ouvidas. A defesa de Tiago Gomes de Souza tentou, durante o julgamento, pedir a desclassificação do crime de homicídio qualificado para lesão corporal seguida de morte.
No entanto, os jurados do Conselho de Sentença rejeitaram a tese da defesa. Eles entenderam que o crime se enquadrou como homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A pena base foi aumentada em um terço porque a vítima era maior de 60 anos.
Além da pena privativa de liberdade, a juíza Patrícia Álvares Cruz estabeleceu o pagamento mínimo de R$ 300 mil a título de reparação de danos aos herdeiros de César. O advogado de defesa, Eugênio Malavasi, não se manifestou sobre a decisão até a conclusão do processo.
Linha do tempo e repercussões do caso
O caso teve uma série de desdobramentos desde a ocorrência, em junho de 2024:
- 9 de junho de 2024: A prisão em flagrante de Tiago foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
- 11 de junho: A defesa teve um pedido de habeas corpus negado. Foi descoberto que o acusado já tinha passagem pela polícia por desacato em 2021.
- 13 de junho: Durante a reconstituição do crime, Tiago se jogou no chão, chorou e se ajoelhou pedindo desculpas. O filho da vítima e o neto que presenciou a agressão estavam presentes.
- 14 de junho: Laudo necroscópico apontou que a morte foi causada por trauma craniano e um edema no pericárdio, possivelmente pelo impacto do chute. A defesa alegou que o réu teve um "ataque de fúria" e fazia uso de medicamentos psiquiátricos.
- 27 de maio de 2025: Em ação cível separada, a Justiça determinou que Tiago pague uma indenização por danos morais de R$ 60.720 ao filho da vítima. O valor será usado para custear despesas médicas do neto que testemunhou o crime.
O caso, que ganhou grande repercussão nacional, foi marcado pela violência extrema e gratuita, levantando debates sobre a intolerância no trânsito e a violência urbana. A condenação a 27 anos de prisão encerra, em primeira instância, um capítulo trágico que começou com um gesto de fúria em uma rua de Santos.