Empresário condenado a 27 anos por matar idoso com chute no peito em Santos
27 anos de prisão por chute fatal em idoso em Santos

O Tribunal do Júri da capital paulista condenou um empresário a mais de 27 anos de prisão por um crime de extrema violência e futilidade, ocorrido na cidade de Santos, no litoral de São Paulo. A decisão, que coloca Tiago Gomes de Souza atrás das grades, foi divulgada no Diário de Justiça nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026.

O crime brutal em frente a shopping

Na tarde de 8 de junho de 2024, a vida do aposentado César Finé Torresi foi interrompida de forma brutal e repentina. Ele atravessava a rua Professor Pirajá da Silva, nas proximidades de um shopping center, de mãos dadas com seu neto, então uma criança de onze anos. O simples ato de caminhar pela cidade se transformou em tragédia.

Segundo os autos do processo, o idoso e o menino passaram um pouco atrás da faixa de pedestres. Nesse momento, foram surpreendidos pelo veículo de Tiago Gomes de Souza, um Jeep Commander avaliado em mais de 200 mil reais, que freou bruscamente. César Torresi chegou a tocar no capô do carro. Após o susto, avô e neto seguiram seu caminho em direção ao shopping, sem imaginar o que viria a seguir.

Agressão fatal e insensibilidade do réu

Tomado por uma fúria incompreensível, Tiago Gomes de Souza desceu do seu carro de luxo. Ignorando completamente a presença da criança, ele pulou uma mureta e desferiu um único e violento chute no tórax do idoso. O impacto foi tão forte que César Torresi caiu no chão, batendo a cabeça com força no asfalto.

O traumatismo craniano sofrido na queda foi a causa da morte, confirmada horas depois pela perícia. O agressor foi preso em flagrante dentro do próprio shopping e, desde então, respondeu ao processo encarcerado. As câmeras de segurança do local registraram toda a sequência do crime, deixando pouca margem para dúvidas.

Julgamento, condenação e histórico do criminoso

O julgamento pelo Tribunal do Júri ocorreu na 4ª Vara da capital na noite de terça-feira, 13 de janeiro. Os jurados rejeitaram a defesa do empresário, que confessou o ato mas alegou não saber que poderia matar o idoso. A juíza Patrícia Álvares Cruz, ao arbitrar a pena de 27 anos e 3 meses de prisão, foi incisiva em sua fundamentação.

Ela destacou a "absoluta insensibilidade" e a "verdadeira indiferença aos princípios morais básicos" demonstradas por Souza. "Matar alguém na presença de uma criança evidencia a maior reprovabilidade da sua conduta", afirmou a magistrada, ressaltando a elevada culpabilidade do réu.

A investigação revelou que Tiago Gomes de Souza já possuía passagens policiais por estelionato e violência doméstica. Durante a reconstituição do crime, a hostilidade da população foi tamanha que ele precisou ser escoltado por policiais e usar colete à prova de balas para sua própria segurança.

A decisão desta quarta-feira ainda cabe recurso para o Tribunal de Justiça de São Paulo. O caso, que chocou o Brasil pela brutalidade e pelo motivo fútil — uma simples discussão de trânsito —, segue como um triste exemplo de como a intolerância e a violência podem destruir vidas em segundos.