Um casal que aproveitava um passeio de caiaque no mar de São Vicente, no litoral de São Paulo, foi vítima de um assalto inusitado e violento. Criminosos utilizando uma moto aquática abordaram a dupla a cerca de 100 metros da Praia dos Milionários no último dia 21 de outubro. O caso, registrado em vídeo, chocou a região e expõe falhas na segurança marítima.
Detalhes do crime e violência
A gravação, feita por uma testemunha, mostra crianças brincando na areia enquanto, mais adiante no mar, o casal é interceptado pelos bandidos. A vítima, uma mulher de 47 anos, relatou ao g1 que os criminosos se aproximaram com a embarcação e deram uma derrapada para jogar água no caiaque. Após pedirem desculpas, gritaram "É casal" para outra moto aquática e anunciaram o assalto, exigindo as alianças.
Os criminosos começaram a circular em volta do caiaque, causando pânico e desestabilizando a pequena embarcação. Quando o marido, de 53 anos, tentou argumentar dizendo que eram moradores da cidade, a dupla perdeu a paciência. Eles aproveitaram que um remo caiu no mar, o pegaram e começaram a agredir o homem.
"Começaram a bater nas costas, na nuca, na cabeça. Eu fiquei em pânico porque eu falei assim: 'Se ele desmaia aqui, morre afogado'", desabafou a mulher. O marido ficou com ferimentos na perna e na cabeça. Após entregarem as alianças, os ladrões fugiram, abandonando os remos no mar.
Identificação e histórico dos suspeitos
A Polícia Civil identificou um dos envolvidos como Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, considerado foragido da Justiça. As imagens do crime foram cruciais para o reconhecimento. A polícia trabalha para identificar o segundo autor.
A moto aquática usada no assalto foi apreendida em uma marina da cidade na sexta-feira, 26 de outubro, após ação conjunta da Capitania dos Portos, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar. A embarcação foi localizada por violar normas de tráfego, já que motos aquáticas só podem navegar a partir de 200 metros da linha da praia, área reservada a banhistas.
Rael Fabiano tem um histórico criminal. Ele possui passagem por furto e foi absolvido de uma acusação de roubo em outubro, após ter sido preso em maio. Naquela ocasião, ele e outros dois homens foram acusados de solicitar uma corrida por aplicativo e roubar carteira, celular e uma pulseira de prata do motorista, que também foi coagido a passar senhas bancárias. A Justiça o absolveu por falta de provas firmes.
Ao ser procurada pela polícia para cumprir um mandado de prisão temporária, a mãe de Rael informou aos agentes que tem conhecimento da participação do filho no assalto no mar. Ela afirmou que o jovem "escolheu a vida do crime" e não mora mais com a família.
Falta de segurança e respostas das autoridades
Após o crime, o casal recebeu ajuda de testemunhas na praia. O marido saiu do mar tonto devido às agressões. A mulher procurou um policial em uma base da Operação Verão, mas se sentiu desamparada quando o agente disse que não tinha o que fazer. "Foi uma sensação horrível, de impunidade", afirmou.
Ela registrou um boletim de ocorrência online e cobrou mais atitude dos órgãos de segurança e políticos. "Precisa ter policiamento no mar", enfatizou a vítima.
Em nota, a Polícia Militar explicou que, em casos de infrações já consumadas e sem flagrante, a providência é o registro de ocorrência no distrito policial competente para subsidiar investigações.
A Prefeitura de São Vicente informou que apoia as investigações da Polícia Civil e promove fiscalizações em marinas com forças-tarefa para inibir irregularidades, como o aluguel de motos náuticas sem registro. A administração municipal também estuda formas de regulamentar com mais rigor o trânsito de embarcações na orla e oficiou a Marinha, responsável principal pela segurança no mar, pedindo fiscalização mais intensa, principalmente na alta temporada.
A Capitania dos Portos intensificou a fiscalização no litoral paulista até março através da Operação Navegue Seguro, que visa reforçar a segurança da navegação e a salvaguarda da vida humana no mar.