Galo Gigante do Recife: símbolo do carnaval ganha coração brilhante em 2026
Maior símbolo do carnaval recifense, o Galo Gigante é materializado anualmente no centro da capital pernambucana e se torna um dos assuntos mais comentados do estado. Em 2026, a escultura de 30 metros de altura ganhou um coração brilhante no meio do peito, marcando mais uma transformação nesta alegoria icônica.
Uma história de transformações e pertencimento
Montado pela primeira vez para o carnaval de 1995, o Galo Gigante já passou por inúmeras mudanças ao longo dos anos. Ele já foi dourado, prateado, vermelho, verde e amarelo, e até preto. Já usou shortinho, cabelo "nevado", óculos estilo "mangueboy" e dreads. Também já apareceu com cartola, óculos escuros, saxofone e segurou sombrinha de frevo, adaptando-se a homenagens e temas especiais.
A alegoria homenageia o Clube das Máscaras O Galo da Madrugada, que sai às ruas no Sábado de Zé Pereira, e foi encomendada pela prefeitura do Recife inicialmente para celebrar o ingresso no Guiness Book como o maior bloco de carnaval do planeta. No primeiro ano, foi colocada sobre o Rio Capibaribe, e desde 1996 reina na Ponte Duarte Coelho, onde bloqueia o trânsito e atrai multidões.
Para a historiadora e pesquisadora Vanessa Marinho, a escultura representa um marco de pertencimento com a população. "O Galo já transcendeu o próprio desfile. A montagem do galo é um evento, a subida do galo é outro evento. É o processo do Galo que movimenta a cidade, que para e muda o trânsito. Mas acho que, sobretudo, as pessoas se apropriam da cidade, do Centro, especificamente, graças ao Galo", afirmou.
Design inovador e homenagens especiais
Responsável pelo design do Galo Gigante desde 2019, o artista plástico Leopoldo Nóbrega explica que o processo de criação começa ainda no fim do carnaval e leva mais de seis meses. Para 2026, o tema é "Galo Folião Fraterno", em homenagem a Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife entre 1964 e 1985.
Os principais destaques da atual roupagem incluem elementos impressos em 3D e o uso de material reciclável. A novidade do coração brilhante foi adicionada após um cortejo inédito realizado na véspera da subida do gigante. Ao longo de mais de 30 anos, a cor mais usada tem sido o amarelo e o vermelho, presentes em mais de dez versões, enquanto a escultura já foi prateada em pelo menos cinco carnavais e dourada em duas ocasiões.
Avaliação pública e tradição consolidada
Como carnaval de massas que representa, o Galo Gigante é sempre alvo do crivo da população. Em 2017, a aparência "assustada" gerou memes, assim como a expressão "zangada" de 2018. Já em 2020, com um show de luzes, e em 2024, quando ficou grisalho em homenagem à terceira idade, a estrutura foi celebrada nas redes sociais.
"Como as pessoas se acham tão próximas, entendem que o Galo faz tanto parte de sua cultura, se sentem à vontade para dizer 'gostei', 'não gostei', 'está feio', 'não está'. Esse comportamento é um símbolo do pertencimento que o pernambucano tem com o Galo", destaca Vanessa Marinho.
A montagem do Galo, que sempre reuniu muitos curiosos na ponte, entrou para o calendário oficial do carnaval e acontece na noite da quarta-feira anterior à festa. Em 2026, pela primeira vez, foi realizado um cortejo para carregar uma parte da alegoria, reforçando o ritual que envolve esta tradição única.
Desde sua criação, o Galo Gigante tem se adaptado a ocasiões especiais, como nas duas vezes em que trajou verde e amarelo (2000 e 2007) ou quando usou acessórios como cartola em homenagem ao fundador Éneas Freire em 2009. Cada detalhe conta a história de um símbolo que continua a evoluir, mantendo viva a cultura e a identidade do carnaval pernambucano.