Saudação fascista em Roma gera polêmica em cerimônia de 1978
Polêmica com saudação fascista em cerimônia na Itália

Uma cerimônia realizada em Roma para relembrar um massacre ocorrido na década de 1970 terminou em polêmica após centenas de participantes realizarem a chamada "saudação romana", gesto historicamente associado ao fascismo e ao nazismo. O ato gerou revolta e levou à organização de um contraprotesto por grupos antifascistas na capital italiana.

O Massacre de Acca Larentia

O evento aconteceu em memória do episódio conhecido como massacre de "Acca Larentia", ocorrido em 7 de janeiro de 1978. Na ocasião, dois jovens militantes da ala juvenil do Movimento Social Italiano (MSI), partido de inspiração neofascista, foram assassinados a tiros. As vítimas foram Franco Bigonzetti, de 13 anos, e Francesco Ciavatta, de 17.

Os crimes aconteceram em frente à sede do partido em Roma e, segundo relatos da época, foram executados por militantes de grupos de extrema-esquerda. A violência não parou por aí. Durante os protestos e confrontos que se seguiram aos assassinatos, um terceiro jovem, Stefano Recchioni, de 19 anos, foi atingido por uma bala perdida e também morreu.

A Cerimônia e o Gesto Polêmico

Anualmente, simpatizantes se reúnem para lembrar os três jovens. Na edição de 2026, após os participantes entoarem por três vezes os tradicionais gritos de homenagem, a multidão realizou em uníssono a saudação romana. O gesto, com o braço estendido para frente, foi popularizado pelo regime fascista de Benito Mussolini e posteriormente adotado pelos nazistas.

A cerimônia ocorreu em frente a uma sede do grupo neofascista CasaPound, nas proximidades da via Appia Nuova, em Roma. A cena, amplamente divulgada e fotografada, reacendeu o debate sobre a memória histórica e a glorificação de símbolos totalitários na Itália contemporânea.

Reação e Protesto Antifascista

A poucas centenas de metros do local da homenagem, a polêmica não passou despercebida. Um grupo de estudantes organizou uma manifestação antifascista nas proximidades de uma delegacia de polícia na via Appia Nuova. O ato serviu como um contraponto direto à cerimônia, destacando as profundas divisões que ainda persistem na sociedade italiana em relação ao seu passado fascista.

O episódio demonstra como eventos históricos traumáticos, como os anos de chumbo na Itália – período marcado por violência política entre extremos ideológicos nas décadas de 1970 e 1980 –, continuam a ecoar e a polarizar o país quase 50 anos depois.