Caso Agostina Páez: pai aparece em vídeo imitando macaco e nega veracidade das imagens
Veículos de imprensa da Argentina classificaram como um "escândalo sem fim" o caso envolvendo Agostina Páez, que responde por injúria racial no Rio de Janeiro. A repercussão ganhou novos desdobramentos após a circulação, nas redes sociais, de um vídeo em que seu pai, Mariano Páez, aparece imitando um macaco em um bar. Ele negou a veracidade das imagens, alegando que foram manipuladas por inteligência artificial, enquanto sua namorada afirmou que ele estava "sob efeito do álcool".
Repercussão na mídia argentina e comparações com casos anteriores
"Provocação de um pai que nunca aprende", diz a chamada da versão impressa do jornal Clarín. A publicação detalha o episódio envolvendo Mariano Páez e ressalta que o gesto "nunca saiu de cena". O periódico também relembrou casos de racismo contra Vinícius Júnior na Espanha, incluindo a denúncia contra o argentino Gianluca Prestianni por tê-lo chamado de "macaco". Outro caso citado foi no reality show Gran Hermano, no qual uma participante foi expulsa por declarações racistas.
O jornal La Nación destacou o tema com a manchete "Racismo e provocação: um escândalo sem fim", trazendo o vídeo como destaque de capa e classificando-o como um "doloroso capítulo". Já o Página 12 descreveu o episódio como um "escândalo internacional" que "não tem fim", relatando a defesa feita por Stefany Budán, namorada de Mariano Páez.
Detalhes do caso original e surgimento do novo vídeo
Agostina Páez, de 29 anos, foi flagrada em 14 de março proferindo ofensas racistas contra um funcionário de um bar, chamando-o de "negro" de forma discriminatória. A confusão começou após ela questionar o valor da conta. Enquanto aguardava a verificação das câmeras, passou a insultar o trabalhador. Imagens registraram o momento em que ela imita um macaco e reproduz sons, além de dizer "mono".
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou seu retorno à Argentina mediante pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos, cerca de R$ 97,2 mil. Posteriormente, o vídeo de Mariano Páez surgiu, gravado na província de Santiago del Estero. Ele afirma que o material é falso e diz ter sido vítima de chantagem, sustentando que as imagens foram editadas por tecnologia de inteligência artificial.
Contexto legal e formas de denúncia
A Lei de Racismo de 1989 define crimes resultantes de discriminação coletiva, com pena de 1 a 5 anos de prisão, sendo inafiançável e imprescritível. Já a injúria racial refere-se a ataques individuais com base em raça, cor, etnia, religião ou origem. Casos podem ser denunciados em delegacias especializadas ou em qualquer unidade policial, presencialmente ou pela internet.
O episódio envolvendo a família Páez continua a gerar debates intensos sobre racismo e responsabilidade, com a imprensa internacional acompanhando cada novo desenvolvimento deste caso que expõe feridas sociais profundas.



