Justiça italiana deve decidir extradição de Carla Zambelli em poucos dias, diz advogado
Itália decide extradição de Carla Zambelli em poucos dias

Justiça italiana deve decidir extradição de Carla Zambelli em poucos dias, diz advogado

A Justiça da Itália deve decidir sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em poucos dias, conforme informou nesta quarta-feira (11) o advogado da ex-parlamentar, Angelo Sammarco, em entrevista à TV Globo. A ex-deputada participará nesta quarta-feira de uma nova audiência do processo, que julga um pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para que Zambelli, atualmente presa na Itália, seja extraditada ao Brasil.

A audiência ainda não havia começado até a última atualização desta reportagem. Sammarco afirmou também que, em caso de uma decisão favorável à extradição, a ex-deputada poderá recorrer ao Supremo italiano. Outra alternativa seria pedir intervenção do Ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.

Recursos e alternativas da defesa

Ainda segundo o advogado, uma terceira alternativa poderia ser protocolar um recurso para tentar a troca de juízes no caso, pedido da defesa de Zambelli que foi negado na terça-feira (10) pela Justiça italiana. O processo de extradição enfrenta atrasos por diversos motivos e já teve quatro adiamentos de audiências.

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Na primeira delas, no fim de novembro, a defesa de Zambelli aderiu a uma greve de advogados em Roma, e na segunda, no mês seguinte, seus advogados apresentaram novos documentos à corte.

Contexto da condenação e fuga

O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro ordenou em dezembro a cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. Ela entregou uma carta de renúncia à Casa três dias depois. Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e fugiu para a Itália após a decisão.

Ela é considerada foragida da Justiça brasileira. A ex-deputada, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio. Ela passou também pelos Estados Unidos antes de se mudar para a Itália. Após a prisão, Zambelli disse que quer ser julgada no país europeu e que provaria que não tem envolvimento na invasão do sistema do CNJ.

Condições de detenção e argumentos da defesa

A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento, por entender que há risco de fuga. A documentação brasileira informa que, caso seja extraditada, a ex-deputada ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e dá detalhes sobre as condições de detenção.

Durante a primeira audiência, em 4 de dezembro, a defesa de Zambelli apresentou diversos argumentos para que ela não seja extraditada. Um deles é sobre a situação carcerária para o eventual cumprimento da pena no Brasil. Foi então que a Justiça italiana suspendeu o julgamento para esperar respostas sobre as condições penitenciárias brasileiras.

O ministro Alexandre de Moraes respondeu com um documento de 11 páginas, com informações e imagens, explicando onde são alojadas as detentas da Colmeia. Também foi informado que nunca houve rebelião nesta prisão, que as presas fazem cursos técnicos e recebem atendimento médico, respeitando padrões de salubridade, segurança e assistência.

Além disso, a escolha desta penitenciária foi conforme determinou a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, local de domicílio da condenada. Os defensores da ex-deputada mantêm a tese de que Zambelli sofre perseguição política e judicial no Brasil.

Decisões parlamentares e judiciais

Para reforçar esse argumento, a defesa apresentou aos juízes o parecer da Comissão de Constituição e Justiça que se pronunciou contrária à cassação do mandato da deputada federal. Mas a situação mudou. No dia 11 de dezembro de 2025, o plenário da Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Porém, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a decisão da Câmara, alegando que é inconstitucional. A deputada anunciou em 3 de junho que havia deixado o Brasil. A princípio, ela disse que buscava tratamento médico, sem especificar onde estava.

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Prisão na Itália e questões de saúde

Na sequência, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República, Moraes decretou sua prisão preventiva. Em cumprimento a um mandado de captura internacional solicitado pela Polícia Federal (PF) do Brasil em cumprimento da determinação do ministro Alexandre de Moraes, a polícia italiana prendeu Carla Zambelli em 29 de julho no apartamento onde estava alojada no bairro Aurelio, em Roma.

Em seguida, ela foi levada à penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores da capital. A defesa de Zambelli pediu à Justiça italiana que ela aguardasse em liberdade ou prisão domiciliar. Porém, a Corte rejeitou este pedido, apontando “fortes indícios” de risco de fuga da então deputada.

A decisão, assinada por três juízes, citou que ela entrou na Itália em 5 de junho, um dia após a condenação definitiva no Brasil. Os juízes também frisaram que Zambelli foi encontrada escondida em Roma e ressaltaram que ela havia afirmado à imprensa italiana que mudaria de casa para não ser descoberta.

A defesa também alegou em agosto que Carla Zambelli sofre de problemas de saúde, necessita de tratamentos médicos, e por isso não poderia permanecer em regime fechado. No entanto, a perícia médica determinada pela Justiça italiana aponta que as enfermidades são compatíveis com o regime carcerário.

Possíveis desfechos do processo

Segundo o laudo médico, os tratamentos necessários podem ser realizados dentro da prisão. O documento afirma também que o eventual traslado aéreo ao Brasil é possível e a viagem não representaria risco de consequências graves, desde que observadas as orientações médicas.

Em outubro, o Ministério Público italiano, representado pelo procurador Amelio Erminio, se manifestou a favor da extradição da então deputada. Caso a Corte de Apelação negue a extradição, Carla Zambelli possivelmente sairá da prisão.

Se os juízes decidirem que ela deve ser extraditada, a ex-deputada poderá permanecer – ou não – nesta penitenciária de Rebibbia. Mas ela não poderá deixar a Itália enquanto o processo não estiver encerrado. Após a apelação, haverá um recurso na Corte de Cassação.

Depois da decisão desta Corte, a palavra final passa ao ministro da Justiça Carlo Nordio, que poderá autorizar ou negar a extradição de Zambelli ao Brasil. Mas se ambas as Cortes, de Apelação e Cassação, negarem a extradição, o ministro da Justiça obrigatoriamente deverá negá-la também.