Irã executa três condenados por participação em protestos contra o regime
O Irã anunciou nesta quinta-feira, 19 de janeiro de 2026, as três primeiras execuções de presos condenados por envolvimento nos protestos de massa que abalaram o país em janeiro. Os indivíduos, identificados como Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi, foram enforcados na cidade de Qom após serem declarados culpados de assassinato e de realizar ações operacionais em favor de Israel e dos Estados Unidos, conforme informou a agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano.
Condenação por "inimizade contra Deus" e repressão brutal
Os três foram sentenciados à morte pelo crime de moharebeh, um conceito legal que significa "inimizade contra Deus", utilizado pela Justiça iraniana para punir delitos contra a segurança pública, o islã e espionagem. A Justiça afirma que eles atacaram agentes de segurança com armas brancas e confessaram os fatos durante as diferentes fases do processo judicial. As execuções ocorreram após a confirmação das sentenças pelo Supremo Tribunal e a conclusão dos procedimentos legais, na presença de advogados de defesa.
Os protestos de janeiro, que pediam o fim da República Islâmica, foram sufocados por uma repressão brutal que, segundo o balanço oficial, causou a morte de 3.117 pessoas. No entanto, organizações de direitos humanos, como a HRANA, sediada nos Estados Unidos, estimam que o número real ultrapasse 7.000 mortos, com cerca de 53.000 manifestantes detidos. Os confrontos durante as manifestações alimentaram as justificativas americanas para desencadear a guerra contra Teerã, com Washington pressionando o país para reverter penas de morte relacionadas aos protestos.
Execuções em alta e caso de cidadão sueco
Somente durante o ano de 2025, o Irã executou 1.500 pessoas, segundo dados da ONU, representando um aumento de 50% em relação ao ano anterior. Em janeiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, indicou que 800 execuções agendadas foram suspensas devido à diplomacia americana, mas as recentes execuções mostram a continuidade das práticas do regime.
Na quarta-feira, a ministra do Exterior da Suécia, Maria Malmer Stenergard, confirmou que um cidadão sueco também foi executado pelo regime iraniano, acusado de espionagem a serviço de Israel. O Irã afirma que ele foi preso durante a guerra de junho do ano passado, tendo se encontrado com agentes israelenses e recebido treinamento em seis países europeus e em Tel Aviv. Esta foi a primeira execução anunciada publicamente desde os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro.
Tensões internacionais e detenções em massa
Segundo Stenergard, o acusado se tornou cidadão sueco em 2019, e o país tentou intervir "em todos os níveis possíveis", tanto na capital sueca quanto em Teerã. No entanto, o Irã recusou o acesso consular, alegando que não reconhecia o homem como cidadão sueco. Nos últimos dias, a imprensa local relatou que centenas de pessoas foram detidas sob suspeita de colaborar com Israel e os EUA. No domingo, o chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, falou em 500 prisões por espionagem e por "fornecer informações ao inimigo e à mídia anti-iraniana".
Em meio a essas tensões, um ataque israelense resultou na morte do ministro da inteligência do Irã, aumentando ainda mais as hostilidades na região. As execuções e detenções destacam a severidade do regime iraniano em lidar com dissidências e supostas ameaças externas, enquanto a comunidade internacional continua a monitorar as violações de direitos humanos no país.



