Irã executa três homens, incluindo jovem atleta, sob acusação de 'guerra contra Deus'
O Irã executou nesta quinta-feira (19), na cidade de Qom, três homens acusados do crime de moharebeh, termo que significa literalmente 'guerra contra Deus' na legislação iraniana baseada na sharia. Entre os mortos está o lutador Saleh Mohammadi, de apenas 19 anos, que integrava a seleção nacional de wrestling do país.
Detalhes das execuções e contexto legal
Mohammadi foi enforcado junto com Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi após serem condenados pelo suposto envolvimento na morte de policiais durante protestos ocorridos no início do ano. O delito de moharebeh é previsto no sistema jurídico iraniano e começou a ser aplicado após a Revolução Iraniana de 1979, quando a lei do país mudou de sua base secular para a lei islâmica.
Segundo o artigo 279 do Código Penal Islâmico, o crime pode ser interpretado como sacar uma arma com a intenção de atentar contra a vida, a propriedade ou a honra de pessoas, causando insegurança no ambiente. Críticos afirmam que o conceito amplo tem sido usado pelo regime contra manifestantes e opositores políticos, com punições que podem incluir a pena de morte.
Denúncias de julgamentos injustos e tortura
Grupos de direitos humanos, como a ONG Iran Human Rights, afirmam que os três foram condenados à morte após julgamentos considerados injustos, baseados em confissões obtidas sob tortura. A execução de Saleh Mohammadi gerou preocupação internacional especial por envolver um atleta jovem que já havia representado o Irã em competições internacionais.
De acordo com a Anistia Internacional, o lutador completou 19 anos enquanto estava preso e foi privado de defesa adequada durante o processo. A organização relatou que ele foi forçado a fazer 'confissões' em procedimentos acelerados que 'não se assemelhavam a um julgamento significativo'. Ativistas também denunciaram que o processo ignorou alegações de tortura, com Mohammadi afirmando ao tribunal que suas confissões foram extraídas sob coação.
Reações internacionais e pressão sobre o regime
A morte do atleta provocou reações de ativistas e especialistas ligados ao esporte. Para o ativista de direitos humanos e atleta iraniano Nima Far, a execução tem forte motivação política. 'Essa execução foi um assassinato político flagrante, parte do padrão da República Islâmica de atacar atletas para esmagar a dissidência e aterrorizar a sociedade', disse Far à Fox News.
Especialistas defendem medidas mais duras contra o país, incluindo um boicote esportivo internacional. Alizreza Nader, analista da situação política iraniana, afirmou que o governo precisa sofrer consequências: 'Deveria haver um boicote ao regime quando se trata de esportes internacionais. Mas o regime precisa pagar um preço alto por executar jovens como esse'.
Temor de novas execuções e contexto de repressão
Organizações de direitos humanos alertam que a execução dos três manifestantes pode marcar o início de uma nova onda de mortes ligadas aos protestos. Segundo o Centro para Direitos Humanos no Irã, dezenas de outros manifestantes já receberam sentenças de morte e correm risco de execução, incluindo adolescentes.
A entidade afirma que a situação pode se agravar devido ao contexto de guerra e repressão política, com o Irã enfrentando o risco de uma crise catastrófica de direitos humanos. Relatórios apontam que o país ocupa a segunda posição global em número de execuções, atrás apenas da China, com levantamentos indicando que pelo menos 1.500 pessoas foram enforcadas em 2025.



