O caso do manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, tomou um novo rumo nesta quinta-feira (15). As autoridades judiciais do Irã afirmaram que ele não foi condenado à pena de morte, contradizendo informações anteriores divulgadas pela sua família e pela organização não governamental Hengaw.
Contradições sobre a sentença
De acordo com o Judiciário iraniano, Soltani responde atualmente por acusações de "conluio contra a segurança interna do país e atividades de propaganda contra o regime". Esses crimes, segundo a justiça local, não são punidos com a execução. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que seguiu a mídia estatal iraniana.
No entanto, a Hengaw, uma ONG curdo-iraniana, mantém uma versão diferente. A organização afirma que a execução por enforcamento de Soltani, marcada para quarta-feira (14), foi apenas adiada. A Hengaw diz ter recebido a informação diretamente de parentes do detento.
"Em conversas com familiares de Irfan Soltani, a Hengaw apurou que a sentença de morte, que havia sido anunciada anteriormente à sua família e seria executada na quarta-feira, não foi cumprida e foi adiada", declarou a instituição.
Pressão sobre a família e alegações de injustiça
Inicialmente, acreditava-se que Soltani havia sido sentenciado por "Moharebeh", um termo frequentemente traduzido como "ódio contra Deus" e que no Irã pode levar à pena capital. O país é conhecido por executar centenas de pessoas anualmente com base nessa acusação.
A situação da família do jovem é descrita como crítica. Uma fonte próxima, sob anonimato, revelou ao portal IranWire que a família está sob extrema pressão. Até um parente que é advogado teria sido impedido de assumir a defesa e ameaçado por agentes de segurança.
Pessoas próximas ao caso disseram ao NDTV que Soltani não teve direito a uma defesa adequada antes da suposta condenação. Seus familiares só puderam visitá-lo por um período muito curto, de apenas 10 minutos.
Contexto de repressão e reação internacional
O caso ocorre em meio a uma forte repressão aos protestos no Irã. Na terça-feira (13), um membro do governo iraniano informou à Reuters que os confrontos já deixaram cerca de 2.000 pessoas mortas.
A situação chamou a atenção internacional, especialmente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na quarta-feira (14), Trump afirmou que os EUA adotariam "medidas muito duras" caso o Irã começasse a enforcar manifestantes.
No mesmo dia, em um evento na Casa Branca, Trump declarou ter sido informado por uma "fonte segura" de que a "matança" no Irã havia parado. "O massacre no Irã está parando. Parou. E não há plano para execuções", disse o presidente, sem fornecer mais detalhes sobre sua fonte.
Erfan Soltani permanece detido no presídio central de Karaj, enquanto o mundo acompanha as contraditórias informações sobre seu destino e a violenta repressão aos protestos no país.



