Execução de manifestante no Irã é adiada após pressão internacional
Irã adia execução de manifestante Erfan Soltani

A pena de morte do manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, foi adiada, conforme informações divulgadas pela organização não-governamental Hengaw, que atua junto à população curda do país. A notícia traz um alívio temporário, mas o caso continua a gerar forte comoção internacional e destaca a violenta repressão do regime aos protestos.

Quem é Erfan Soltani, o jovem condenado

Erfan Soltani trabalhava no setor de vestuário e havia começado em um novo emprego em uma empresa privada. Conhecido por seu interesse por moda e por manter um estilo de vida saudável, com prática de musculação e esportes, ele participou dos protestos que eclodiram no Irã há cerca de um mês.

Os protestos surgiram em meio a uma grave crise econômica, com a desvalorização da moeda nacional, o rial, afetando diretamente a população. Antes de ser preso, Soltani já havia recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança, mas decidiu permanecer firme nas manifestações, conforme relatou sua família ao portal IranWire.

Detenção e condenação sumária

A prisão de Erfan Soltani ocorreu no dia 8 de dezembro, próximo à sua casa, no distrito de Fardis, na cidade de Karaj. Durante três dias, sua família ficou sem qualquer informação sobre seu paradeiro, em um período de angústia e incerteza.

Apenas no domingo, dia 11, as autoridades entraram em contato com os familiares para confirmar que ele estava sob custódia e, de forma chocante, informar que já havia sido condenado à morte. A sentença foi baseada na acusação de "Moharebeh", termo que significa "guerra contra Deus" ou "ódio contra Deus", uma acusação frequentemente usada pelo regime iraniano para executar opositores.

Segundo relatos, Soltani não teve direito a um processo legal adequado ou a oportunidade de se defender. Um parente próximo, que é advogado, foi impedido de assumir o caso e ameaçado por agentes, que disseram claramente: "Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada".

Adiamento e contexto da repressão

A ONG Hengaw obteve a informação do adiamento da execução através de conversas com os familiares de Soltani. A sentença, que supostamente seria cumprida na quarta-feira, não foi executada, mas ainda paira como uma ameaça constante sobre o jovem e sua família.

Este caso ocorre dentro de um cenário de extrema violência. Um membro do governo iraniano admitiu à agência Reuters que cerca de 2.000 pessoas já morreram na repressão aos protestos, um número que evidencia a escala da resposta estatal aos movimentos populares.

Apesar do adiamento, a situação de Erfan Soltani e de centenas de outros detidos permanece crítica, com a comunidade internacional e organizações de direitos humanos acompanhando com extrema preocupação os desdobramentos no Irã.