Justiça francesa convoca Elon Musk para depor sobre abuso sexual infantil e deepfakes no X
A Justiça francesa realizou uma convocação formal para que o bilionário Elon Musk compareça a um depoimento voluntário nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, em Paris. O foco da investigação é a disseminação de material de abuso sexual infantil e de deepfakes ultrarrealistas com teor erótico na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.
Investigação abrangente sobre a plataforma
Além de Musk, a executiva Linda Yaccarino, ex-presidente da plataforma, também recebeu convocação para entrevistas voluntárias. Outros funcionários da rede social devem ser ouvidos ao longo da semana como testemunhas, embora ainda não esteja confirmado se os principais executivos comparecerão.
Os promotores franceses esclareceram que "essas entrevistas voluntárias com os executivos têm como objetivo permitir que eles apresentem sua posição sobre os fatos e, quando apropriado, as medidas de conformidade que planejam implementar". A abordagem foi descrita como construtiva, visando garantir que a plataforma X opere em conformidade com a legislação francesa em território nacional.
Histórico da investigação
O X vem sendo alvo de investigação desde o início de 2025, inicialmente por denúncias de que seu algoritmo foi utilizado para interferir na política francesa. O escopo do inquérito foi ampliado para incluir:
- Disseminação de pornografia infantil
- Conteúdos negacionistas
- Deepfakes gerados pela ferramenta Grok, a inteligência artificial embutida na plataforma
Musk é acusado de ser cúmplice dessas práticas, especialmente no que diz respeito ao uso da IA Grok para produção e distribuição de conteúdo problemático.
Operações anteriores e reações
No início de fevereiro, investigadores realizaram uma operação de busca e apreensão nos escritórios do X em Paris, ação que Musk descreveu publicamente como um "ataque político". A convocação atual ocorre um mês após a Promotoria de Paris alertar autoridades americanas sobre suspeitas de que o bilionário teria incentivado deliberadamente a circulação de deepfakes de teor sexual para aumentar artificialmente o valor da empresa.
Em resposta a essas acusações, Musk classificou os promotores franceses como "deficientes mentais", demonstrando a tensão crescente entre o executivo e as autoridades judiciais da França.
O problema dos deepfakes e da IA Grok
Deepfakes são vídeos gerados por inteligência artificial que criam versões extremamente realistas de pessoas reais, frequentemente figuras públicas. A ferramenta Grok, que possui conta própria no X, permite que usuários interajam com ela ou façam perguntas sobre qualquer tema.
Durante determinado período, internautas podiam marcar o bot em publicações para solicitar que ele gerasse ou editasse imagens. Essa funcionalidade provocou indignação no início de 2026, quando foram registradas dezenas de milhares de solicitações para fabricação de fotos e vídeos de mulheres e meninas nuas sem seu consentimento.
Contexto internacional
A investigação francesa não é isolada. Outros países também estão examinando as práticas da plataforma X, especialmente no que diz respeito à moderação de conteúdo e ao uso de inteligência artificial. A convocação de Musk ocorre em um momento de crescente preocupação global sobre:
- Regulação de redes sociais
- Proteção de menores online
- Uso ético de inteligência artificial
- Combate à desinformação digital
O caso representa um teste significativo para a aplicação das leis europeias de proteção digital contra uma das figuras mais influentes do setor tecnológico mundial.



