Caso Henry Borel: Monique Medeiros se entrega após decisão de Gilmar Mendes
Monique Medeiros se entrega após decisão de Gilmar Mendes

Caso Henry Borel: Monique Medeiros se entrega após decisão do STF

Monique Medeiros, acusada da morte do filho Henry Borel, se entregou na 34ª Delegacia de Polícia de Bangu nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026. A decisão ocorreu um dia após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar sua prisão imediata, revertendo uma soltura anterior que havia ocorrido em 23 de março.

Contexto do caso e adiamento do julgamento

Monique havia sido solta em março após o julgamento no Tribunal do Júri ser adiado por uma manobra dos advogados do ex-companheiro, o ex-vereador carioca Dr. Jairinho. Os defensores abandonaram o plenário para impedir a sessão, o que levou a juíza Elizabeth Machado Louro a considerar que ela não poderia ser prejudicada pela obstrução. Na prática, com o adiamento, a professora ficaria mais tempo na cadeia.

O menino Henry Borel, de apenas 4 anos, foi morto em março de 2021 no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, seu padrasto. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas já estava sem vida. Monique passou os últimos cinco anos presa, em prisão preventiva, uma modalidade processual decretada antes de eventual condenação.

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Decisão de Gilmar Mendes e fundamentos jurídicos

Em sua decisão, no sábado, 18 de abril, Gilmar Mendes reiterou que a juíza do caso não poderia ter revogado a prisão porque o STF já havia deliberado anteriormente que a reavaliação da custódia de Monique não poderia ser feita na primeira instância. O ministro justificou que o reconhecimento de excesso de prazo da prisão “não decorre de simples operação aritmética, mas de um juízo de razoabilidade que deve considerar a complexidade da causa e a conduta das partes”.

Ele destacou que o processo da morte de Henry demorou para ser julgado por “atos da própria defesa ou de incidentes por ela provocados” e considerou arriscado soltar Monique na reta final do processo. A gravidade concreta do delito e o histórico de coação de testemunhas justificam a manutenção da medida extrema para resguardo da ordem pública e conveniência da instrução.

Argumentos da defesa e riscos processuais

A defesa de Monique Medeiros alegou que há excesso de prazo no tempo em que ela ficou detida e que a acusada não teve responsabilidade pelo adiamento do julgamento. No entanto, Gilmar Mendes argumentou que “a soltura da ré às vésperas da oitiva de testemunhas sensíveis em plenário representa risco à busca da verdade processual”.

O ministro acrescentou: “Diante deste quadro, a soltura da ré em período tão próximo à nova sessão plenária designada projeta risco concreto à regularidade da instrução e à própria utilidade do provimento final”. A decisão enfatiza a necessidade de garantir a integridade do processo judicial em um caso de alta complexidade e repercussão nacional.

O caso Henry Borel continua a gerar intenso debate público e jurídico, com a prisão de Monique Medeiros marcando mais um capítulo na longa trajetória judicial que busca esclarecer a morte do menino de quatro anos.

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