França revela identidade de ex-professor acusado de abusar de 89 jovens em vários países
A Justiça francesa divulgou oficialmente na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a identidade de Jacques Leveugle, um ex-professor de 79 anos acusado de estuprar e agredir sexualmente 89 adolescentes durante um período impressionante de mais de cinco décadas. O réu, que está preso desde 2024, é investigado pela Promotoria de Grenoble, localizada no sudeste da França, mas as autoridades alertam que podem existir vítimas em diversos outros países além das fronteiras francesas.
Crimes cometidos em múltiplas nações
Segundo informações detalhadas das autoridades francesas, os crimes sexuais teriam ocorrido entre os anos de 1967 e 2022 em diversas nações onde Jacques Leveugle atuou profissionalmente como educador. Existem registros documentados de casos na França, Alemanha, Suíça, Marrocos, Níger, Argélia, Filipinas, Índia, Colômbia e também na Nova Caledônia, que é um território francês situado no Oceano Pacífico.
O promotor responsável pelo caso, Étienne Manteaux, explicou o modus operandi: "Ele percorreu diferentes países e, em cada um desses lugares onde se instalava para oferecer apoio escolar, sendo professor, conheceu jovens e teve relações sexuais com eles". Esta declaração revela um padrão sistemático de abuso que se estendeu por décadas e continentes.
Investigação iniciada com descoberta de evidências digitais
A investigação policial teve início após um evento crucial ocorrido em 2023, quando o sobrinho do suspeito encontrou um pen drive contendo anotações detalhadas e imagens que documentariam relações do ex-professor com adolescentes com idades entre 13 e 17 anos. De acordo com o promotor Manteaux, aproximadamente 40 das jovens vítimas já foram identificadas pelas autoridades até o momento atual.
Entretanto, como uma parte significativa das vítimas aparece apenas pelo primeiro nome nos registros apreendidos, a polícia francesa lançou um apelo público urgente para que outras possíveis vítimas procurem as autoridades competentes. "Queremos que outras possíveis vítimas se apresentem", enfatizou Manteaux durante coletiva de imprensa.
Confissões de assassinatos familiares
Durante os depoimentos realizados no âmbito da investigação, Jacques Leveugle fez confissões chocantes além dos crimes sexuais. O ex-professor admitiu ter matado sua própria mãe em 1974, quando ela se encontrava na fase terminal de um câncer, e também uma tia de 92 anos no ano de 1992. Uma investigação judicial separada foi imediatamente aberta para apurar esses supostos assassinatos.
O promotor Manteaux revelou detalhes macabros sobre o segundo crime: "Ele nos explicou que disse (à sua tia) que tinha que partir para as Cévennes. Ela estava implorando para que ele não fosse, então ele tomou a decisão de matá-la também". E completou com a justificativa apresentada pelo acusado: "Ele justifica os assassinatos dizendo que esperava que alguém fizesse o mesmo com ele se ele estivesse na mesma situação no final de sua vida".
Desafios legais e busca por justiça completa
As autoridades francesas enfrentam desafios jurídicos significativos neste caso complexo. Parte das acusações mais antigas pode estar sujeita à prescrição conforme a legislação francesa, mas a Promotoria de Grenoble mantém o compromisso de esclarecer a totalidade dos fatos e identificar todas as possíveis vítimas, independentemente do tempo decorrido.
A investigação continua ativa, com equipes policiais dedicadas a rastrear vítimas em todos os países onde Jacques Leveugle atuou como educador. As autoridades internacionais estão cooperando com a França para garantir que todas as vítimas recebam apoio adequado e que a justiça seja plenamente aplicada neste caso que chocou a comunidade internacional.



