Ex-agentes do FBI processam diretor por demissão após investigação sobre Trump
Ex-agentes do FBI processam diretor por demissão após investigação Trump

Ex-agentes do FBI acusam diretor de retaliação política após investigação sobre Trump

Dois ex-agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) apresentaram uma ação judicial anônima contra o diretor da agência, Kash Patel, alegando terem sido demitidos injustamente por integrarem a equipe responsável por investigar as ações do ex-presidente Donald Trump após as eleições de 2020. O processo, protocolado junto a um tribunal de Washington na quinta-feira, 19 de março de 2026, acusa o diretor de retaliação política e violação da liberdade de expressão dos profissionais.

Demissões sem justificativa prévia

Segundo os documentos judiciais, os dois ex-agentes foram desligados do FBI durante o outono americano, entre setembro e novembro, sem qualquer tipo de investigação interna, notificação formal ou oportunidade de defesa. "Nenhuma investigação interna, notificação ou audiência precedeu suas demissões. Tampouco foi apresentada aos autores qualquer evidência que supostamente respaldasse as demissões, ou lhes foi dada a oportunidade de recorrer", afirmam os profissionais na ação.

Os ex-agentes destacam que possuíam registros disciplinares impecáveis e avaliações de desempenho consideradas "exemplares" pela agência, o que torna as demissões ainda mais questionáveis. Ambos integravam a equipe responsável pela condução da operação Arctic Frost, investigação do FBI que apurava acusações de que Donald Trump teria tentado reverter o resultado das eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos.

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Contexto político das demissões

Os profissionais alegam que suas demissões ocorreram em um contexto de pressão política externa, especialmente após o senador republicano Chuck Grassley, do estado de Iowa, divulgar documentos não editados que expuseram publicamente o nome de um dos agentes envolvidos na investigação. A ação judicial afirma que "o apoio político ao presidente Trump não é um requisito legal ou apropriado para o desempenho eficaz dos respectivos papéis dos autores dentro do FBI".

O processo destaca ainda que "a percepção de falta de apoio político ao presidente Trump é uma base inadmissível para a demissão do emprego dos autores no FBI", caracterizando as rescisões como atos de retaliação política que violam direitos constitucionais dos funcionários públicos.

Declarações públicas que antecederam as demissões

Anteriormente às demissões, Donald Trump havia feito comentários públicos sobre os agentes envolvidos na investigação Arctic Frost, referindo-se a eles como "escória" e "lunáticos radicais de esquerda" em uma publicação em sua rede social Truth Social. Na mesma publicação, o ex-presidente direcionou uma mensagem ao diretor do FBI: "Kash, é melhor tirá-los de lá. AGORA!".

Essa postura se alinha com declarações anteriores da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, que em março de 2025 ameaçou demitir agentes do FBI e do Departamento de Justiça que demonstrassem desprezo pelo ex-presidente. "Há muitas pessoas no FBI e também no Departamento de Justiça que desprezam Donald Trump, nos desprezam e não querem estar aqui", afirmou Bondi em entrevista à Fox News na época. "Vamos erradicá-los. Vamos encontrá-los, e eles não serão mais empregados", completou a procuradora-geral.

Reivindicações dos ex-agentes

Na ação judicial, os dois ex-agentes do FBI exigem:

  1. A reintegração imediata aos seus cargos na agência federal
  2. O reconhecimento judicial de que as demissões constituíram violação à liberdade de expressão
  3. Reparação por danos morais e profissionais sofridos
  4. Garantias de que não sofrerão novas retaliações por suas atividades profissionais anteriores

Os profissionais alegam que, embora tenham desempenhado funções menores dentro da investigação Arctic Frost, sua simples participação no inquérito foi suficiente para motivar as demissões ordenadas pelo diretor Kash Patel. O caso representa mais um capítulo nas tensões políticas que envolvem o FBI desde as eleições de 2020 e coloca em questão a independência da agência federal em relação a pressões políticas externas.

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