Corpo de babá brasileira assassinada em Portugal será repatriado após dois meses
Corpo de babá brasileira assassinada em Portugal será repatriado

Corpo de babá brasileira assassinada em Portugal será repatriado após dois meses de espera

A família da babá brasileira Lucinete Freitas, assassinada em Portugal no dia 5 de dezembro, finalmente recebeu a confirmação de que o corpo será repatriado para o Brasil. Segundo Teodoro Júnior, viúvo da vítima, a chegada está prevista para esta sexta-feira, dia 13, encerrando um período de mais de dois meses de angústia e incertezas.

Detalhes do crime e prisão da principal suspeita

A patroa de Lucinete, identificada pelas autoridades portuguesas como uma brasileira de 43 anos natural do Maranhão, foi presa como principal suspeita pelo assassinato. Após ser detida, ela indicou onde o corpo estava escondido, levando à descoberta em um matagal da cidade de Amadora, região metropolitana de Lisboa. O corpo havia passado treze dias desaparecido antes do achado.

Conforme investigações do Ministério Público de Portugal, a relação entre a babá e sua patroa era conflituosa. A suspeita teria usado um bloco de cimento para golpear Lucinete fatalmente, após oferecer uma carona para casa. Para ocultar o crime, ela ainda jogou entulho sobre o corpo e, de forma calculada, pegou o celular da vítima para enviar mensagens fingindo ser Lucinete.

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Ao se passar pela babá, a suspeita disse que estava viajando para o Algarve com uma amiga, numa tentativa de evitar suspeitas sobre o desaparecimento, detalhou o MP português.

Articulações para o traslado e burocracias enfrentadas

O governo do Ceará assumiu os custos do traslado internacional do corpo, conforme anunciado pelo chefe da Casa Civil estadual, Chagas Vieira, em 10 de janeiro. Antes disso, a família havia solicitado ajuda ao Governo Federal, argumentando que o caso se enquadraria na lei aprovada em 2025 para mortes de brasileiros no exterior.

No entanto, o Governo Federal respondeu que a lei ainda não está sendo aplicada por falta de definição orçamentária, o que prolongou o processo. Desde dezembro, os familiares relataram excesso de burocracia, demoras significativas e falta de informações claras sobre os procedimentos, além da incapacidade financeira de arcar com as despesas do traslado.

Contexto da vítima e possível motivação do crime

Lucinete Freitas, natural de Aracoiaba no interior do Ceará, morava sozinha em Amadora há sete meses quando foi assassinada. Ela planejava levar o marido e o filho de 14 anos para Portugal em 2026. Há aproximadamente quatro meses, trabalhava como babá, emprego que conseguiu através de um anúncio em redes sociais onde a patroa especificava preferência por uma brasileira.

Segundo Teodoro Júnior, Lucinete iria depor a favor do patrão em um processo sobre a guarda do filho dele com a suspeita do crime. O casal de patrões vivia um relacionamento conturbado, e a babá presenciou diversas brigas, sempre se posicionando ao lado do patrão quando envolvida nas discussões.

O viúvo acredita que essa tomada de posição pode ter sido a motivação principal para o crime, uma vez que a patroa via Lucinete como uma aliada do ex-companheiro em disputas judiciais sensíveis.

Impacto e desdobramentos do caso

O assassinato de Lucinete Freitas expõe vulnerabilidades enfrentadas por brasileiros que trabalham no exterior, especialmente em situações de conflito doméstico envolvendo empregadores. A demora na repatriação também destaca desafios burocráticos e financeiros que famílias enfrentam em tragédias internacionais.

Com a patroa presa e aguardando julgamento em Portugal, a família busca agora concluir o processo de traslado e realizar o sepultamento no Ceará. O caso continua sob investigação das autoridades portuguesas, que buscam esclarecer todos os detalhes do crime e garantir que a justiça seja feita.

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