Cúmplice de Epstein se recusa a depor no Congresso americano enquanto secretário de Comércio enfrenta crise
Cúmplice de Epstein se recusa a depor no Congresso americano

Cúmplice de Epstein se recusa a depor no Congresso americano enquanto secretário de Comércio enfrenta crise

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (12) que não tinha conhecimento sobre a visita do secretário de Comércio, Howard Lutnick, à ilha particular de Jeffrey Epstein no Caribe, ocorrida após os casos de abuso sexual do financista já serem de conhecimento público. A declaração ocorre em meio a um crescente escândalo político que envolve figuras poderosas dos círculos de elite.

Revelações comprometedoras e contradições

Em janeiro, o Departamento de Justiça norte-americano divulgou milhões de novos arquivos relacionados a Epstein, incluindo e-mails que mostram que Lutnick aparentemente visitou a ilha particular do criminoso sexual para almoçar anos depois de afirmar ter cortado relações com ele. Lutnick, nomeado para o cargo pelo presidente republicano Donald Trump no ano passado, agora enfrenta pedidos de renúncia tanto de democratas quanto de republicanos.

Trump disse também não ter discutido o assunto com o secretário após as novas revelações, mantendo distância do caso que tem gerado intensa repercussão política. Lutnick depôs na última terça-feira (10) a uma comissão do Senado, procurando se distanciar de Epstein e alegando que "quase não teve nada a ver" com o financista.

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Defesa frágil e contradições expostas

Durante a audiência no Senado, Lutnick se defendeu afirmando aos parlamentares que ambos trocaram apenas cerca de 10 e-mails e se encontraram três vezes ao longo de 14 anos. O secretário explicou que o almoço com Epstein aconteceu apenas porque ele estava em um barco perto da ilha, com sua família presente na ocasião.

"Eu não tinha nenhum relacionamento com ele. Eu mal tive contato com essa pessoa", declarou Lutnick aos senadores. No entanto, as aparentes contradições entre os documentos recentemente divulgados e suas declarações anteriores sobre Epstein têm aumentado a pressão sobre sua permanência no cargo.

Histórico de contradições e conexões políticas

Lutnick havia jurado anteriormente "nunca ter estado no mesmo cômodo" que Epstein após um incidente em 2005, no qual o financista mostrou ao secretário uma mesa de massagem em sua casa e fez um comentário de cunho sexual. Além do almoço de 2012, os e-mails mostraram que o assistente de Epstein encaminhou a ele um convite de Lutnick para um evento de arrecadação de fundos em novembro de 2015 em sua empresa financeira para a candidata democrata à presidência, Hillary Clinton.

Trump derrotou Clinton na eleição presidencial de 2016 nos EUA, o que adiciona um elemento político adicional ao caso. Lutnick não abordou as aparentes contradições durante seu depoimento, citadas pelo senador democrata Adam Schiff em seu pedido de renúncia.

Crescente pressão política e recusa de depoimento

O deputado republicano Tom Massie disse à CNN no domingo que Lutnick deveria "facilitar a vida do presidente, francamente, e simplesmente renunciar". Em resposta, o secretário afirmou na audiência: "Eu sei, e minha esposa sabe, que não fiz absolutamente nada de errado em nenhum aspecto possível".

Lutnick também afirmou que não sabia que Epstein estivesse interessado em conhecer sua babá, detalhe que surgiu durante as investigações. A audiência ocorreu um dia depois de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein, se recusar a responder perguntas em um depoimento perante uma comissão da Câmara dos Representantes dos EUA, segundo parlamentares.

A recusa de Maxwell em depor gerou críticas de membros republicanos e democratas da comissão, ampliando ainda mais o escândalo que envolve os círculos de elite frequentados por Epstein. Lutnick é um dos vários homens poderosos da política, dos negócios e do entretenimento, incluindo o próprio Trump, que estão sob fogo cruzado por seus laços com o financista criminoso.

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