Casal de Poá enfrenta situação de tensão em Dubai após cancelamento de cruzeiro
Um casal de Poá, na Grande São Paulo, está retido em um navio de cruzeiro atracado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde o dia 28 de fevereiro. A advogada e empresária Tathiana Suwaki Amorim, de 47 anos, e seu marido, Cristian de Amorim, de 52, viajaram para realizar um cruzeiro pelos Emirados Árabes, mas o roteiro foi oficialmente cancelado devido à situação de segurança na região, marcada por uma escalada de ataques.
Navio serve como hospedagem emergencial em meio a alertas de segurança
Segundo Tathiana, o navio MSC Euríbia permanece parado no porto de Dubai, funcionando como hospedagem emergencial para os passageiros. Embora seja permitido desembarcar, a recomendação das autoridades é que todos fiquem a bordo por questões de segurança. "Pode sair, mas a recomendação é fortemente que fiquemos no navio. E também, se sair, não tem para onde ir, um local seguro", relatou a brasileira.
A tensão no local é constante, com Tathiana afirmando ter visto aviões de caça sobrevoando a região e recebido alertas de mísseis. "Já vimos caça sobrevoando e recebemos alerta de mísseis. Em uma reunião com o vice-cônsul brasileiro, o alarme de emergência disparou", contou ela, destacando a apreensão vivida pelo casal.
Dificuldades para retorno ao Brasil afetam cerca de 350 brasileiros
O casal integra um grupo maior de aproximadamente 350 brasileiros entre os mais de 5 mil passageiros que estavam inicialmente no navio. A principal dificuldade enfrentada é a falta de previsão para voos de volta ao Brasil, especialmente porque compraram o cruzeiro e as passagens aéreas separadamente. "A MSC está dando mais assistência para quem comprou pacote de cruzeiro com voo junto. Quem comprou o cruzeiro e o voo separado não está tendo assistência para saber do voo, e esse é o nosso problema", explicou Tathiana.
O retorno estava previsto para segunda-feira, 9 de março, em voos da Qatar Airways com conexão em Doha, no Catar. No entanto, a companhia aérea informou que as operações permanecem temporariamente suspensas devido ao fechamento do espaço aéreo do país, só retomando quando a Autoridade de Aviação Civil do Catar autorizar a reabertura segura.
Busca por ajuda brasileira e preocupações com prazo de permanência
Enquanto aguardam uma solução, o casal busca informações junto às autoridades brasileiras. Representantes do consulado afirmaram que não há previsão de envio de aeronave da Força Aérea Brasileira para retirada dos brasileiros e que alternativas por terra, passando por países como Omã ou Arábia Saudita, estariam sendo avaliadas – opções consideradas arriscadas por Tathiana.
Outra preocupação é o prazo de permanência no navio, com o check-out previsto para sexta-feira, 7 de março, gerando apreensão. "Se nos obrigarem a sair, não temos onde ficar. Acredito que isso não vá acontecer, mas é uma hipótese", disse ela. O casal segue no navio à espera de novas orientações das autoridades e da companhia aérea, com Tathiana reforçando: "Queremos apenas uma atualização sobre os voos e uma previsão de retorno ao Brasil".
Contexto do conflito que levou à situação
O cenário de insegurança na região decorre de um ataque coordenado das forças armadas dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, 28 de fevereiro, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei e de chefes militares. Em resposta, o Irã lançou ataques contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio, com diversos países sendo afetados. O Irã classificou a morte de Khamenei como uma 'declaração de guerra contra os muçulmanos' e prometeu vingança, enquanto o ex-presidente americano Donald Trump ameaçou utilizar "força nunca antes vista" caso o Irã continue com retaliações.
Até o momento, o g1 solicitou posicionamento da MSC Cruzeiros e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, mas não recebeu resposta. A Qatar Airways orienta que os passageiros não se dirijam ao aeroporto sem notificação oficial confirmando o voo e afirma trabalhar para organizar voos extras de apoio, sempre que possível, priorizando a segurança e o bem-estar de todos.



