Babá brasileira confessa participação em duplo homicídio nos EUA e revela detalhes macabros
Babá brasileira confessa duplo homicídio nos EUA com detalhes macabros

Ex-babá brasileira narra detalhes chocantes de duplo assassinato nos Estados Unidos

A história da brasileira Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, tomou um rumo sombrio quando ela confessou ter participado de um plano para assassinar duas pessoas nos Estados Unidos. Em depoimento emocionado, a ex-au pair descreveu cenas que permanecerão gravadas nos anais da Justiça americana.

O início nos Estados Unidos e o relacionamento proibido

Juliana chegou aos Estados Unidos em outubro de 2021 através de um programa de au pair, que permite a jovens morarem com famílias americanas enquanto cuidam de crianças. Formada em enfermagem no interior de São Paulo, ela foi morar na casa de Brendan e Christine Banfield em Fairfax, Virgínia, uma cidade a aproximadamente 30 minutos de Washington DC.

Brendan, então com 40 anos, trabalhava como investigador criminal da Receita Federal americana, enquanto Christine, 37 anos, era enfermeira neonatal. Juliana cuidava da filha do casal, então com três anos e meio. Inicialmente, a relação com Christine era amigável, mas tudo mudou quando, em agosto de 2022, a brasileira iniciou um caso extraconjugal com Brendan.

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O plano macabro começa a tomar forma

Segundo o depoimento de Juliana, foi em outubro de 2022 que Brendan mencionou pela primeira vez o "plano para se livrar" da esposa. Ele teria argumentado que o divórcio não era uma opção porque teria que dividir a custódia da filha e os bens da família.

"Ele mencionou o plano para se livrar dela", testemunhou Juliana quando questionada pela procuradora-adjunta Kelly Sprissler. A brasileira afirmou que inicialmente achou que era brincadeira, mas com o tempo, Brendan compartilhou detalhes cada vez mais específicos do que havia arquitetado.

A busca por um bode expiatório

Parte essencial do plano envolvia incriminar outra pessoa pelo assassinato de Christine. Brendan criou um perfil falso em uma rede social de sadomasoquismo usando fotos da esposa, segundo Juliana. O casal então começou a trocar mensagens com homens, tentando marcar um encontro na casa da família.

Joseph Ryan, de 39 anos, foi escolhido como alvo. "Ele fez Brendan se sentir confiante o suficiente de que seria a pessoa certa para desempenhar o papel que ele precisava", explicou Juliana em seu depoimento. Ryan concordou em levar objetos como algemas e cordas para o encontro, itens que serviriam para incriminá-lo posteriormente.

Preparação meticulosa para o crime

A preparação para os assassinatos foi minuciosa. Juliana relatou que ela e Brendan frequentaram um clube de tiro em mais de uma ocasião para treinar. "Para o caso de eu precisar usar, caso algo desse errado", justificou a brasileira.

Brendan também substituiu as janelas da casa por modelos antirruído e testou pessoalmente se os sons poderiam ser ouvidos do lado de fora. Ele teria caminhado pela vizinhança procurando câmeras de segurança e mudado sua rotina nos dias anteriores ao crime para não despertar suspeitas.

O americano ainda instruiu Juliana a se livrar de seu celular antigo, que continha fotos e mensagens comprometedoras, e a estacionar seu carro em local diferente do habitual para que Ryan não estranhasse a presença de um segundo veículo na propriedade.

O dia fatídico: 24 de fevereiro de 2023

No dia marcado, o plano original previa que Juliana saísse com a criança dizendo que iriam ao zoológico, enquanto Brendan fingiria ir trabalhar, mas pararia em uma lanchonete próxima. Quando Ryan chegasse, Juliana ligaria para Christine avisando sobre um intruso, mas o celular da patroa estaria desligado. Em seguida, ela ligaria para Brendan, que retornaria à casa.

Contudo, os eventos se desenrolaram de forma diferente. Juliana relatou que, após se esconder no porão com a criança, subiu ao segundo andar e encontrou Brendan. Ao entrarem no quarto onde Christine dormia, viram Ryan em cima da mulher, segurando-a na cama.

"Ela gritou para Brendan: 'Brendan, ele tem uma faca'. E foi nesse momento que ele atirou em Joe [Ryan] pela primeira vez", contou Juliana com voz embargada. Christine então pediu que ela ligasse para a emergência, mas Brendan ordenou que desligasse.

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"Ele subiu em cima dela e foi aí que eu vi ele esfaqueando ela pela primeira vez", descreveu a brasileira. "Quando vi o que estava acontecendo, corri para o outro lado da cama, me encolhi e tapei os ouvidos e os olhos."

Em um momento particularmente angustiante, Juliana relatou que Christine chegou a pedir a Brendan que a deixasse morrer. "Ele estava esfaqueando ela e ela só dizia: 'Me deixa. Eu vou morrer de qualquer jeito. Vou sangrar até morrer'."

Alguns instantes depois, a babá percebeu que Ryan ainda se mexia. "Ele estava se mexendo e o Brendan não teve nenhuma reação. (...) E foi aí que eu disparei também", confessou. Questionada sobre quem havia acertado, respondeu: "O Joe [Ryan]".

As investigações e os acordos judiciais

Após os assassinatos, Brendan instruiu Juliana a ligar para a emergência relatando que um invasor havia entrado na casa. Nos áudios divulgados pela Justiça americana, é possível ouvir a brasileira, em inglês hesitante, dizendo que sua amiga havia sido esfaqueada.

Juliana foi presa em outubro de 2023 por ter atirado e matado uma pessoa. Quando a polícia chegou à residência com mandado de prisão, descobriram que a au pair havia se mudado para o quarto de Brendan - o mesmo onde os assassinatos ocorreram.

Em outubro de 2024, a brasileira assinou um acordo com a Procuradoria e se declarou culpada de homicídio culposo, uma acusação menor do que as que enfrentava originalmente. Em troca da confissão, ela concordou em cooperar com os promotores e testemunhar contra Brendan Banfield.

Brendan foi preso em setembro de 2024 e considerado culpado por duas acusações de homicídio qualificado em fevereiro deste ano. Sua sentença será anunciada em 8 de maio.

Controvérsias e versões conflitantes

A defesa de Brendan Banfield classificou toda a versão dada por Juliana como falsa. O advogado John Carroll argumentou durante o julgamento que a brasileira só confessou porque os promotores lhe ofereceram "algo certo" - uma confissão de culpa por homicídio culposo e tempo cumprido garantido em troca de seu depoimento.

Carroll também contestou as provas eletrônicas, dizendo não ser possível afirmar com certeza quem estava usando os dispositivos de Christine para trocar mensagens no site de sadomasoquismo. Ele criticou a investigação, alegando que comandantes da polícia pressionaram investigadores a concordarem com a teoria de que Brendan teria se passado por Christine.

Durante seu próprio depoimento, Brendan negou veementemente qualquer plano para ferir sua esposa e classificou a ideia de que teria tentado atrair Ryan até a casa como "completamente insana". Ele afirmou que seu relacionamento com Juliana não era sério e citou casos extraconjugais anteriores como prova de que não mataria sua esposa por uma amante.

Cartas reveladoras e possíveis interesses financeiros

Durante o julgamento, a defesa de Brendan questionou os motivos de Juliana para aceitar o acordo, afirmando que ela estaria em negociação com produtores e editoras sobre potenciais acordos para vender sua história para adaptação em documentário ou livros.

A brasileira reconheceu ter sido contatada por produtores que queriam que ela vendesse sua história. Ela disse que ainda não havia assinado nenhum contrato, mas afirmou que uma produtora depositou dinheiro em sua conta no presídio.

A Procuradoria também publicou comunicações da au pair com sua mãe no Brasil, onde ela discute a possibilidade de um acordo para um documentário produzido pela Netflix. Na mensagem, enviada da prisão em março de 2025, ela diz que seria uma possibilidade de "pensar no futuro".

Documentos revelaram ainda cartas conflitantes enviadas por Juliana à família de Brendan antes de assinar o acordo de confissão. Em uma delas, endereçada à mãe de Banfield, a brasileira se oferece para assumir a culpa pelos crimes: "Eu daria minha vida pela dele e jamais faria algo para machucá-lo ou contra ele".

Contudo, em outra carta, ela escreveu: "Não estou disposta a passar o resto da minha vida na prisão por algo que não fiz."

Próximos passos no caso

A sentença de Juliana será anunciada nesta sexta-feira (13). Como parte do acordo, a Procuradoria concordou em recomendar uma pena equivalente ao tempo de prisão já cumprido, o que significaria que a brasileira seria liberada em breve e provavelmente deportada para o Brasil.

Após o julgamento, o procurador do Condado de Fairfax, Steve Descano, chamou Brendan Banfield de "monstruoso" em coletiva de imprensa. "Obviamente, havia muitos detalhes sórdidos neste caso que fizeram com que ele atraísse muita atenção", disse Descano. "Mas, no fim das contas, este caso diz respeito a duas pessoas que foram assassinadas há quase três anos aqui no Condado de Fairfax."

A promotora Jenna Sands afirmou que o depoimento de Brendan durante o julgamento contribuiu para sua condenação. "Acho que todos comentaram sobre o que era tão óbvio: que ele não foi sincero, que foi frio, que se comportou de maneira estranha em resposta a perguntas que deveriam ter despertado emoção", disse Sands à imprensa local.