Ataques de EUA e Israel atingem TV estatal iraniana em Teerã; jornalismo sob censura
Ataques atingem TV estatal iraniana; jornalismo sob censura

Ataques de EUA e Israel atingem complexo da TV estatal iraniana em Teerã

Partes do complexo da emissora estatal de rádio e televisão do Irã, conhecida como IRIB, localizada na capital Teerã, foram atingidas por ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel. O ataque ocorreu após alertas prévios das Forças de Defesa de Israel, que orientaram civis a evitarem a região de Evin e áreas vizinhas à emissora, buscando abrigo imediato.

Prisão de Evin e detenção de jornalista estrangeiro

A região do ataque abriga também a notória prisão de Evin, que no ano passado sofreu um grande ataque israelense, resultando em pelo menos 80 mortos, incluindo funcionários, presos e visitantes. Atualmente, entre os muitos presos políticos e ativistas detidos ali, acredita-se estar Shinnosuke Kawashima, chefe do escritório em Teerã da NHK, emissora pública japonesa. Sua detenção, ocorrida em 20 de janeiro, foi relatada pela Radio Farda, serviço em persa da Radio Free Europe/Radio Liberty.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) declarou que a detenção "reflete um esforço deliberado das autoridades iranianas para silenciar a cobertura independente", projetado para pressionar jornalistas ao silêncio. Sara Qudah, diretora regional do CPJ, acrescentou que ações como essa visam impor autocensura e expulsar a mídia independente do país.

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Cortes de internet e restrições à mídia

A repressão mortal aos protestos recentes foi seguida por um corte de internet que durou mais de uma semana, visto como uma tentativa de interromper o fluxo de informações. Embora alguns iranianos em áreas fronteiriças tenham usado conexões de países vizinhos, atualmente enfrentam um apagão total, conforme relatado pela empresa de monitoramento NetBlocks, com breves períodos intermitentes de acesso.

Todas as plataformas de redes sociais no Irã são proibidas, exigindo o uso de VPNs para contornar restrições. No entanto, um pequeno grupo de autoridades e comentaristas pró-regime continua a publicar, possivelmente usando conexões autorizadas ou "chips em branco" com acesso irrestrito, estendidos a alguns jornalistas, professores e pesquisadores.

Ambiente restritivo para jornalistas estrangeiros

Fazer jornalismo no Irã é extremamente arriscado, a menos que alinhado com a linha oficial da República Islâmica. Toda a mídia doméstica é controlada pelo Estado, e desvios à narrativa governamental não são tolerados. Jornalistas internacionais precisam de visto de imprensa e credenciamento rigidamente controlado, com planos de cobertura pré-aprovados.

  • Movimentação e acesso são gerenciados cuidadosamente, com restrições para viagens fora das principais cidades.
  • Leis de imprensa incluem disposições amplas que proíbem conteúdo considerado prejudicial à segurança nacional ou princípios islâmicos.
  • Correspondentes podem enfrentar advertências, perda de credenciais ou expulsão por desvios.

Veículos estrangeiros que operam no Irã

Apesar das restrições, alguns veículos estrangeiros mantêm presença, incluindo:

  1. Canais pan-árabes como Al Jazeera (Catar), Al Arabiya (Arábia Saudita), Al Mayadeen (Líbano) e RT Arabic (Rússia).
  2. Emissoras turcas como TRT Haber, A Haber, NTV e Ulusal Kanal, com cobertura cautelosa refletindo a postura de Ancara.
  3. O canal estatal iraniano em árabe, Al Alam TV, sediado em Teerã.

Muitas organizações internacionais são proibidas ou fortemente restringidas, evitando "linhas vermelhas" ou mantendo posições editoriais não desafiadoras.

Histórico de restrições desde 2009

As restrições à imprensa estrangeira endureceram após a eleição presidencial contestada de 2009, quando Mahmoud Ahmadinejad foi declarado vencedor. Protestos em massa levaram a expulsões de correspondentes, confinamentos e dificuldades na obtenção de vistos. Ondas subsequentes de protestos, como em 2017-18, 2019 e após a morte de Mahsa Amini em 2022, desencadearam novas rodadas de restrições.

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Jornalistas que reportam do exterior também enfrentam pressão, com autoridades mirando familiares no Irã. Canais em persa como BBC Persian TV, Iran International e Manoto têm funcionários ameaçados ou designados como "terroristas".

Aberturas temporárias e controle narrativo

O Irã abre temporariamente suas portas a jornalistas estrangeiros durante celebrações nacionais, sob condições rígidas. Em fevereiro de 2026, por exemplo, mais de 200 repórteres estrangeiros cobriram o 47º aniversário da Revolução Islâmica, com tours de imprensa controlados pela IRIB. Participantes foram levados a eventos pró-governo, com reportagens ecoando a narrativa oficial.

Em resumo, emissoras estrangeiras podem reportar do Irã, mas apenas sob condições impostas pelo Estado, que continuam a moldar o acesso e as histórias que podem contar, em um ambiente de censura e risco elevado para a liberdade de imprensa.