Operação da PF mira esquema milionário de fraudes bancárias com prejuízo de R$ 500 milhões
A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte contra uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias, estelionato e lavagem de dinheiro, que teria causado um prejuízo estimado em R$ 500 milhões às instituições financeiras. A ação, que envolveu 43 mandados de busca e apreensão, resultou na prisão de 15 pessoas, enquanto outras seis continuam foragidas.
Esquema sofisticado envolvia cooptação de gerentes bancários
Segundo as investigações, que tiveram início em 2024, a quadrilha atuava com um método elaborado que incluía a cooptação de gerentes de bancos. Esses profissionais repassavam informações internas confidenciais e, em alguns casos, inseriam dados falsos diretamente nos sistemas bancários.
Com essas informações privilegiadas, o grupo criminoso criava empresas de fachada, simulava faturamentos fictícios e conseguia obter empréstimos de alto valor que nunca eram quitados. A estrutura permitia ainda que terceiros utilizassem o mesmo esquema para fins ilícitos.
Ligações com o grupo Fictor e envolvimento de executivos
Entre os alvos da operação estão o presidente e um ex-sócio do grupo Fictor, empresa que chegou a anunciar a compra do Banco Master em novembro de 2025, um dia antes do Banco Central declarar a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
O delegado da Polícia Federal Henrique Souza Guimarães explicou: "Nós conseguimos identificar conversas entre o Thiago e os principais integrantes desse grupo. São sócios-diretores. Inclusive, com CEO. Efetivamente houve contato entre eles. Eles se interessaram pelo modo de trabalho utilizado pelo nosso alvo principal para conseguir os financiamentos".
Entre os presos estão:
- Gerentes de bancos que repassavam informações internas
- Contadores envolvidos na elaboração de documentos falsos
- Pessoas suspeitas de atuarem como "laranjas" para as empresas de fachada
Líder do esquema está foragido e operação tem abrangência nacional
A Polícia Federal identificou Thiago Branco de Azevedo como o suposto chefe da organização criminosa. Ele seria responsável por montar as empresas, recrutar os "laranjas" e oferecer a estrutura ilícita a terceiros. Sua residência, localizada em um condomínio de luxo em Americana, foi alvo de buscas, mas ele permanece foragido.
As diligências policiais se estenderam a endereços ligados ao grupo Fictor em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dos 43 mandados de busca e apreensão, quatro envolvem diretores e funcionários do grupo, incluindo Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Fictor, e o ex-sócio Luiz Rubini.
Ligação com facção criminosa e medidas cautelares
A investigação revelou ainda que uma célula do Comando Vermelho, atuante em Piracicaba, utilizou o mesmo esquema para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, demonstrando a versatilidade da estrutura criminosa.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões como medida cautelar. Os advogados de Rafael de Gois e Luiz Rubini afirmaram que prestarão esclarecimentos às autoridades assim que tiverem acesso ao conteúdo completo da investigação.
Contexto do grupo Fictor e repercussões
A Polícia Federal esclareceu que o grupo Fictor não é alvo da operação, mas investiga a atuação individual de sócios e pessoas ligadas à empresa no esquema criminoso. Após o anúncio da compra do Banco Master e a posterior liquidação do banco, o grupo enfrentou uma crise de reputação e financeira que culminou com seu ingresso em recuperação judicial.
O Jornal Nacional não conseguiu estabelecer contato com a defesa de Thiago Branco de Azevedo para obter sua versão dos fatos. A operação continua em andamento com buscas aos foragidos e aprofundamento das investigações sobre a extensão completa do esquema fraudulento.



