Operação Fim da Fábula desmantela esquema criminoso de estelionato digital com prisões em múltiplas cidades
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público uniram forças em uma ação conjunta que resultou na prisão de 12 pessoas suspeitas de integrar uma sofisticada associação criminosa voltada para golpes digitais. Batizada de Operação Fim da Fábula, a iniciativa cumpriu um total de 120 mandados de busca e apreensão e 53 prisões temporárias, marcando um duro golpe contra atividades ilícitas no ambiente virtual.
Estratégia de investigação revela complexa rede de lavagem de dinheiro
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o grupo criminoso operava com um modelo de lavagem em camadas, utilizando transferências de recursos entre familiares, empresas de fachada e contas de terceiros para dificultar o rastreamento do dinheiro. Ronaldo Sayeg, delegado e diretor do Deic, explicou que a estratégia de seguir o dinheiro foi crucial para desvendar toda a engrenagem criminosa.
O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) identificou pelo menos 36 imóveis com ligação direta aos investigados, muitos registrados em nome de laranjas. Além disso, foram apreendidos veículos, embarcações, joias e dinheiro em espécie, com autorização da 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista.
Bloqueio judicial pode alcançar valores bilionários em contas investigadas
Considerando um teto de 100 milhões de reais por conta, o bloqueio judicial tem potencial para alcançar bilhões de reais, dependendo do saldo existente nas 86 contas envolvidas no esquema. Os mandados estão sendo cumpridos em diversas cidades, incluindo:
- Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Praia Grande, Santo André, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São Paulo e São Vicente no estado de São Paulo
- Capitólio e Nova Lima em Minas Gerais
- Brasília no Distrito Federal
Coordenação de esforços entre autoridades para combater o crime organizado
A investigação começou com a identificação dos núcleos estratégicos responsáveis por coordenar as ações criminosas, seguida pelo mapeamento dos executores dos golpes, operadores financeiros e integrantes encarregados de ocultar o patrimônio. Ivan Francisco Pereira Agostinho, subprocurador-geral de Justiça Criminal do Ministério Público, destacou que a união de esforços é essencial para asfixiar o capital dessas organizações e combatê-las de forma efetiva.
Esta operação reforça a importância da colaboração entre instituições na luta contra o crime digital e a lavagem de dinheiro, demonstrando que esquemas complexos podem ser desmantelados com investigações minuciosas e ações coordenadas.



