Funcionário de fábrica de salgados em Londrina é investigado por desviar R$ 4,5 milhões
Um funcionário de uma empresa localizada em Londrina, no norte do Paraná, está sendo investigado pela Polícia Civil por suspeita de desviar aproximadamente R$ 4,5 milhões dos cofres da companhia. O esquema fraudulento envolveu o uso de cadastros de microempreendedores individuais (MEIs) de amigos para emitir notas fiscais falsas, conforme revelado pelas autoridades policiais.
Operação policial apreende documentos e carros de luxo
Nesta quinta-feira (5), a Polícia Civil deflagrou uma operação que resultou na apreensão de documentos e veículos, incluindo um carro avaliado em R$ 105 mil. No total, cinco pessoas são investigadas pelo crime de estelionato, embora a Justiça tenha rejeitado o pedido de prisão preventiva formulado pela polícia. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados oficialmente.
O delegado Edgard Soriani, responsável pelo caso, explicou que a empresa vítima do desvio atua na produção de máquinas para fabricação de salgados. A fraude veio à tona no final de 2025, quando outro funcionário realizou uma análise das metas da empresa e identificou registros de compras incompatíveis com o ramo de atividade, como transações envolvendo cosméticos.
Esquema fraudulento envolveu empresas de fachada
Durante a investigação, a polícia descobriu que quatro empresas MEIs estavam recebendo valores estratosféricos por vendas de peças e produtos para a fábrica de salgados. No entanto, essas empresas atuavam em ramos distintos e não tinham relação com o segmento industrial da vítima. O delegado Soriani destacou a discrepância: "Só que eram empresas MEIs, e o ramo de atividade era distinto".
O funcionário investigado, que ocupava um cargo responsável pela realização de compras de peças, alegou que os donos das empresas entraram em contato com ele oferecendo produtos com desconto, mas afirmou não conhecê-los pessoalmente. A Polícia Civil, entretanto, apurou que todos os investigados se conhecem e costumam realizar viagens juntos, indicando uma possível articulação no esquema.
Dinheiro desviado foi destinado a imóveis e bens pessoais
De acordo com as investigações, o dinheiro desviado foi utilizado para a construção de imóveis particulares e para a aquisição de outros bens. O delegado Soriani detalhou o mecanismo do desvio: "O dinheiro iria para essas pessoas e depois retornava para a conta dele. Nós estamos ainda, agora, em fase de análise bancária".
A investigação também busca apurar a possível omissão ou conivência de outros funcionários da empresa. Soriani mencionou que havia empregados responsáveis por conferir as notas fiscais e armazenar os produtos no estoque, que podem ter negligenciado suas funções ou recebido vantagens para facilitar o esquema.
Investigações continuam para apurar extensão do desvio
A Polícia Civil continua as investigações para determinar se mais funcionários estão envolvidos no caso. A operação desta quinta-feira marca um avanço significativo, mas a análise bancária e a coleta de provas adicionais ainda estão em andamento. As autoridades reforçam o compromisso de esclarecer completamente as circunstâncias do desvio e responsabilizar todos os envolvidos.