Sumiço de 21 mil sacas de café causa prejuízo de R$ 132 mi a produtores de Ibiraci
Fraude milionária em cooperativa de café em Minas Gerais

Uma fraude milionária envolvendo o desaparecimento de milhares de sacas de café está causando um grave impacto econômico em Ibiraci, município mineiro com pouco mais de 10 mil habitantes. O caso, que tem como principal suspeito o empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), resultou em um prejuízo estimado em R$ 132 milhões para dezenas de produtores rurais que confiaram seu produto à Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil).

O Desfalque que Abala uma Cidade

A dimensão do prejuízo é tão grande que supera as despesas do orçamento público de Ibiraci para 2025, que são de R$ 101,4 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Em comparação com a economia local, o valor desviado equivale a quase 15% do PIB municipal de 2023, que foi de R$ 895 milhões, conforme dados do IBGE. A cidade tem sua economia fortemente ligada à cafeicultura.

"É uma conduta de altíssima gravidade. Houve um desfalque econômico para a cidade. Não é uma coisa irrelevante, um furto pequeno", afirmou o delegado Estevam Ferreira, da Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga o caso.

Vítimas em Situação de Extrema Dificuldade

Para pequenos agricultores, a perda tem consequências devastadoras. O casal Marcos Paulo da Silva e Kênia Lúcia Adriano, por exemplo, seguiu orientação do suspeito e reservou o melhor café da safra para vender posteriormente. Agora, enfrentam um prejuízo de R$ 150 mil.

"A vida inteira a gente aprendeu a ser honesto e a gente não está tendo condição de honrar os nossos compromissos depois do que ele fez com a gente. Está sendo muito difícil porque a gente é pequeno produtor e depende exclusivamente desse café", desabafou Kênia. Ela relatou que a família está com dificuldades até para comprar comida e para tocar a lavoura.

Até o momento, 30 produtores já formalizaram queixa na polícia pelo sumiço de aproximadamente 21 mil sacas de café que estavam armazenadas nos barracões da Cocapil.

Investigação e a Fuga do Suspeito

Elvis Vilhena Faleiros, que era presidente da cooperativa, é alvo de um mandado de prisão preventiva decretado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) e é considerado foragido pelas autoridades. A fraude começou a ser descoberta em agosto de 2023, quando produtores foram retirar sacas e não encontraram o café onde deveria estar armazenado.

Segundo o delegado Estevam Ferreira, os relatos das vítimas são consistentes: todas confiaram o café para armazenagem na Cocapil e, de um dia para o outro, o produto sumiu. Dois diretores da cooperativa já foram ouvidos pela polícia e alegaram que problemas financeiros na instituição, agravados a partir de 2021, levaram ao desvio das sacas.

O advogado de Elvis Faleiros, Márcio Cunha, entrou com um pedido de habeas corpus para o cliente. Em sua defesa, argumentou que o rombo na cooperativa foi causado por oscilações financeiras do mercado cafeeiro e que o empresário deseja ressarcir os prejuízos, inclusive por meio da venda de propriedades. "O objetivo é saldar com os produtores. Esse é o objetivo maior", declarou o advogado.

As investigações da Polícia Civil estão na fase final, mas mais vítimas ainda devem ser ouvidas. O sumiço milionário do café deixou um rastro de dívidas, insegurança e um profundo impacto na economia de uma cidade que respira o agronegócio.