Ex-goleiro Doni terá depoimento marcado pela Justiça dos EUA em processo de suposto golpe imobiliário
Ex-goleiro Doni terá depoimento marcado pela Justiça dos EUA

Ex-goleiro Doni enfrenta processo nos EUA por suposto golpe imobiliário

A Justiça dos Estados Unidos determinou que representantes da empresa D32 Wholesale, da qual o ex-goleiro da Seleção Brasileira Donieber Alexander Marangon, o Doni, é sócio, prestem depoimento no próximo dia 1º de maio. A decisão foi tomada nesta terça-feira (10) após uma breve audiência por videoconferência, que durou apenas quatro minutos, envolvendo advogados da empresa e de duas pessoas que contrataram a construção de uma casa em Palm Bay, na Flórida, em 2021.

Detalhes do processo e valores envolvidos

No processo, as partes requerentes solicitam o reembolso de mais de US$ 59,6 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 300 mil na cotação atual. Antes da audiência, o Tribunal da Flórida havia emitido uma determinação severa, ameaçando com prisão os sócios da empresa caso não comparecessem ao ato judicial. A medida reflete a gravidade das alegações e a insistência da Justiça em resolver o caso.

O g1 tentou contato por e-mail com os escritórios que representam tanto as pessoas que ajuizaram a ação quanto o ex-goleiro nos Estados Unidos, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta notícia. A falta de comunicação amplia as incertezas em torno do desfecho legal.

Trajetória de Doni e suspeitas sobre a D32 Wholesale

Doniéber Alexander Marangon, de 46 anos, ficou nacionalmente conhecido por sua brilhante carreira no futebol. Revelado pelo Botafogo-SP de Ribeirão Preto (SP), ele atuou em clubes de prestígio como Corinthians, Santos, Cruzeiro, Roma e Liverpool, além de ter integrado a Seleção Brasileira, conquistando a Copa América de 2007 e atuando como reserva na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Aposentado dos gramados em 2013 devido a problemas cardíacos, Doni migrou para a vida empresarial. Nos Estados Unidos, tornou-se sócio da D32 Wholesale, empresa voltada para o mercado imobiliário da Flórida. Segundo apurações da EPTV, afiliada da TV Globo, a empresa captava recursos no Brasil e no exterior com a promessa de rendimentos de até 15% ao ano, vinculados à construção de casas em condomínios de médio e alto padrão no estado.

Reportagens exibidas em um canal de televisão local em 2025 mostraram imóveis com construções abandonadas e compradores relatando prejuízos financeiros significativos. Em entrevista ao Fox35 Orlando, um homem afirmou: "Solicitei oficialmente o reembolso e continuo recebendo o mesmo e-mail, pedindo para eu falar com a construtora, que eles entrariam em contato comigo. Até agora, a construtora não me contatou. Só quero meu depósito de volta e seguir em frente".

Histórico do processo e falta de cooperação

O processo em discussão tramita desde janeiro do ano passado. Após problemas em um contrato de quase US$ 200 mil para a construção de uma casa em Dunnellon, a cerca de 250 quilômetros de Palm Bay, as compradoras e a empresa assinaram, em novembro de 2024, um acordo para o pagamento de mais de US$ 59 mil. Esse valor incluía a devolução de US$ 39,6 mil pagos pelo projeto, além de juros e custas advocatícias.

No entanto, as compradoras alegam que o acordo não foi cumprido, o que levou ao ajuizamento da ação cível. Em abril do ano passado, a defesa dessas pessoas pediu a execução do pagamento, e o Tribunal do Condado de Orange, onde a ação tramita, determinou um primeiro depoimento de representantes da D32 Wholesale para setembro, mas ninguém compareceu.

Além disso, conforme documentos da Justiça americana, nenhum representante participou de uma audiência marcada para o fim de outubro do mesmo ano. Diante disso, em janeiro, o juiz Luis Calderon marcou outra audiência para esta terça-feira, sob pena de prisão em caso de não comparecimento. Na segunda-feira (9), o escritório Vihlen & Associates foi registrado como novo representante legal da D32 Wholesale e participou da audiência virtual, indicando uma possível tentativa de regularizar a situação.

O caso continua a evoluir, com o depoimento marcado para maio representando um passo crucial na resolução deste litígio que envolve figuras públicas e investimentos internacionais.