Casal de Sorocaba é alvo de investigação por aplicação de golpes milionários
A Polícia Civil de São Paulo está conduzindo uma investigação minuciosa contra um casal residente em Sorocaba, no interior paulista, suspeito de aplicar golpes financeiros sofisticados que prejudicaram pelo menos 17 pessoas. O prejuízo total estimado pelas autoridades e pelo advogado das vítimas já ultrapassa a marca impressionante de R$ 1,85 milhão, revelando a magnitude do esquema fraudulento.
Vítimas em múltiplas cidades e método de atuação dos suspeitos
As vítimas residem em diversas localidades do estado de São Paulo, incluindo Sorocaba, Mairinque, São José do Rio Preto e São Roque. Os investigados atuavam como intermediários em supostos investimentos, oferecendo-se para auxiliar as pessoas em aplicações financeiras em setores como o imobiliário e o trade. Inicialmente, os pagamentos dos rendimentos prometidos eram realizados com regularidade, criando uma falsa sensação de segurança e confiança entre os investidores.
Entretanto, a partir do final do ano de 2025, as vítimas começaram a enfrentar dificuldades para receber seus recursos. Os suspeitos simplesmente cessaram as comunicações e interromperam os depósitos, deixando os lesados sem qualquer retorno sobre os valores aplicados. Em uma das conversas documentadas, a mulher suspeita alegou à vítima que não conseguira resgatar o dinheiro devido a bloqueios nos valores, prometendo tentar novamente na semana seguinte – promessa que nunca se concretizou.
Relação de confiança estabelecida em ambiente religioso
Um dos aspectos mais marcantes deste caso é a forma como os suspeitos construíram sua rede de contatos e conquistaram a confiança das vítimas. De acordo com depoimentos colhidos, o casal frequentava assiduamente uma igreja católica na cidade de Mairinque, utilizando essa participação religiosa como uma espécie de fachada para legitimar suas atividades perante a comunidade.
"Eles se mostravam extremamente católicos, mas era tudo encenação para que as pessoas investissem e acreditassem em suas propostas", relatou uma das vítimas que preferiu manter o anonimato. Essa estratégia de se inserir em ambientes comunitários e religiosos para estabelecer credibilidade é uma característica comum em golpes de confiança, tornando mais difícil para as vítimas desconfiarem das intenções fraudulentas.
Valores expressivos e investigação em andamento
Documentos obtidos pela reportagem revelam que uma das vítimas chegou a entregar a quantia de R$ 395 mil diretamente ao casal, sem jamais receber qualquer retorno sobre esse vultoso investimento. Outra pessoa prejudicada relatou que, embora inicialmente os pagamentos ocorressem mensalmente conforme combinado, a partir de outubro de 2025 os suspeitos pararam completamente de responder às suas mensagens e solicitações.
O advogado Edgar Carmo Aboboreira, que representa as vítimas no processo judicial, detalhou que a conduta atribuída aos investigados configura atuação irregular no mercado de capitais, realizada sem a devida autorização do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários. Além disso, estão sendo apuradas as possíveis práticas dos crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
"As penas somadas para esses crimes podem alcançar até 24 anos de reclusão", alertou o advogado, destacando a gravidade das acusações. O Ministério Público já foi formalmente informado sobre o caso, e foi solicitado o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do casal investigado.
Medidas para ressarcimento das vítimas e posicionamento oficial
"O objetivo principal dessas medidas é viabilizar o rastreamento e o bloqueio de bens dos investigados e de terceiros possivelmente envolvidos no esquema, para que as vítimas possam ser ressarcidas dos prejuízos sofridos", explicou Aboboreira. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) emitiu uma nota oficial informando que as denúncias seguem em fase de investigação pela Polícia Civil.
A SSP ressaltou que existem procedimentos que dependem da apresentação de documentos complementares pelas vítimas ou de representação formal para dar continuidade às apurações. Os casos foram registrados como estelionato nas delegacias de Sorocaba e São Roque, consolidando a ação policial em mais de uma jurisdição devido à abrangência geográfica dos crimes.
A reportagem tentou contato direto com o casal suspeito para ouvir sua versão dos fatos, mas não obteve qualquer retorno até o fechamento desta matéria. As investigações continuam em andamento, com as autoridades trabalhando para desvendar completamente a extensão do esquema fraudulento e garantir que a justiça seja aplicada a todos os envolvidos.



