BRB registra dívidas indevidas de clientes do Master e Will Bank no BC após falha em repasse de dados
BRB registra dívidas falsas de clientes do Master e Will Bank no BC

BRB registra dívidas indevidas de clientes do Master e Will Bank no Banco Central

Uma situação preocupante tem afetado milhares de consumidores no Brasil: clientes que contrataram empréstimos ou serviços financeiros no Will Bank ou no Banco Master estão encontrando dívidas registradas como ativas ou em atraso nos sistemas do Banco Central, mesmo quando essas obrigações já foram quitadas ou nunca existiram. Os relatos apontam o Banco de Brasília (BRB) como responsável por esses registros indevidos, em um caso que já atinge cerca de 40 mil pessoas, segundo apuração da TV Globo.

Origem do problema: falha no repasse de informações após liquidação

De acordo com o BRB, o problema surgiu após a liquidação do Will Bank. O banco afirmou que deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas. Pelas regras contratuais, a instituição que originou os empréstimos é responsável por acompanhar os pagamentos e repassar os dados ao BRB. Com a interrupção desse fluxo, alguns contratos aparecem como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central, mesmo já tendo sido pagos no banco de origem.

Vínculo com o Banco Master e investigação de fraudes

O caso está diretamente ligado às operações do BRB com o Banco Master. Desde 2024, o BRB vinha comprando carteiras de crédito do Master e chegou a anunciar um acordo para adquirir o banco em março de 2025, em uma transação estimada em R$ 2 bilhões, que foi vetada pelo Banco Central em setembro. Após a liquidação extrajudicial do Master, uma operação da Polícia Federal passou a investigar um suposto esquema de fraudes bilionárias, onde o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, sem garantia financeira. Como compensação, o Master transferiu novas carteiras ao BRB, incluindo empréstimos originados pelo Will Bank, o que pode ter levado aos registros indevidos.

Como verificar se você foi afetado

Para saber se há dívidas indevidas em seu nome, é essencial consultar o Registrato, sistema do Banco Central que permite acessar relatórios com informações financeiras pessoais. O processo envolve:

  1. Acessar o sistema com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada.
  2. Clicar na opção "Empréstimos e Financiamentos (SCR)".
  3. Solicitar um novo relatório e visualizar, baixar ou receber por e-mail.

O documento mostrará quais empréstimos existem em seu nome, contas bancárias, chaves PIX registradas e outras informações financeiras.

O que fazer se houver uma dívida indevida

Especialistas orientam os consumidores a tomarem as seguintes medidas:

  • Entrar em contato com a instituição (como o BRB) e solicitar, por escrito, detalhes do contrato, valor atualizado e origem da dívida.
  • Se não houver contrato, formalizar uma reclamação com protocolo e exigir a interrupção da cobrança.
  • Registrar reclamações em órgãos como Procon e Consumidor.gov se a situação não for resolvida.
  • Avaliar recorrer à Justiça, como o Juizado Especial, se necessário.

O BRB afirmou que está atuando junto ao liquidante para normalizar a situação e realizar correções imediatas assim que houver retorno das informações. No entanto, a demora pode exigir ação judicial por parte dos afetados.

Nota do BRB e contexto regulatório

Em nota, o BRB destacou que a compra das carteiras seguiu todas as regras e contratos, e que toda operação de crédito é registrada no SCR. O banco reiterou que está acompanhando o tema de perto e cobrando os responsáveis pelo envio das informações para que a normalização ocorra no menor prazo possível. O Banco Central já vinha monitorando indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB, incluindo a ausência de transferências bancárias comprovando a contratação de empréstimos, o que pode ter contribuído para o surgimento de dívidas fictícias no sistema.