A Polícia Civil de Piracicaba deflagrou na manhã desta quarta-feira (29) a Operação Carro Fantasma, que investiga um esquema organizado de pirâmide e fraudes financeiras envolvendo empresas do ramo automotivo. As investigações indicam que o grupo pode ter movimentado mais de R$ 170 milhões, com cerca de 30 envolvidos, sendo os três principais líderes atuantes em São Pedro (SP).
Mandados de busca e apreensão
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de São Pedro, Piracicaba, Brotas e Limeira. Quatro pessoas foram detidas e levadas ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Piracicaba para prestar esclarecimentos, sendo posteriormente liberadas. Durante a ação, foram apreendidos documentos, celulares e uma arma de pressão. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos bancários e fiscais dos alvos, além do bloqueio de contas e bens.
Funcionamento do esquema
Segundo o delegado Ivan Luiz Constancio, do DEIC de Piracicaba, os investigados são suspeitos de integrar um esquema de pirâmide. As vítimas eram convencidas a fazer transferências via PIX e a contratar financiamentos de veículos que nunca eram entregues. “Esses núcleos estavam ligados a revendas de veículos que buscavam financiamentos junto a bancos. Em alguns casos, esses veículos nem existiam, o que caracteriza a fraude”, explicou.
O esquema oferecia um rendimento de 4% ao mês, acima dos investimentos tradicionais. O valor emprestado pelo banco ia diretamente para as contas dos líderes da pirâmide. O participante recebia de volta o equivalente a uma parcela mensal somada ao lucro prometido, conseguindo pagar o banco e ainda ficar com o suposto rendimento. Após alguns meses, os responsáveis desapareciam, deixando a dívida com o banco para a vítima.
Carros fantasmas
De acordo com a Polícia Civil, o dinheiro era transferido entre empresas do ramo automotivo e contas ligadas aos investigados. “Os fatos começaram na cidade de São Pedro. A Delegacia de São Pedro realizou investigações iniciais e teve conhecimento que uma empresa angariava com uma promessa de um lucro maior que o valor de mercado”, disse Constancio. Inicialmente, as vítimas recebiam o dinheiro, mas depois os pagamentos paravam.
Movimentações suspeitas
O caso teve origem após relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificarem movimentações suspeitas superiores a R$ 102 milhões. Pessoas físicas e jurídicas teriam participado de movimentações financeiras acima do que seria compatível com a renda declarada, usando empresas, contas bancárias e financiamentos de veículos para ocultar o dinheiro. “Há indícios de movimentações financeiras atípicas, com valores elevados circulando entre contas. Esse dinheiro era fracionado para evitar a identificação”, alertou o delegado.
O próximo passo dos investigadores é compreender o “caminho do dinheiro” e como era feita a movimentação financeira.



