O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu um gesto de apoio a Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), antes de embarcar para Washington, onde se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião ocorreu em meio ao desgaste causado pela rejeição da indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, na semana passada.
Encontro de acalento
Segundo fontes do Palácio do Planalto, Lula procurou tirar das costas de Messias a responsabilidade pela derrota, interpretando o resultado como uma resposta política do Congresso ao Executivo e ao STF, e não uma reprovação ao currículo do titular da AGU. O presidente compartilhou sua leitura de que a votação foi um recado de insatisfação dos senadores ao governo e à Corte, e não um julgamento pessoal sobre Messias.
Messias, por sua vez, manifestou o desejo de deixar o cargo atual, argumentando que a função exige interlocução tanto com magistrados quanto com parlamentares que teriam articulado sua derrota. No entanto, Lula insiste que ele permaneça no governo, seja à frente da AGU ou em outro posto, como o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Próximos passos
A expectativa é que os dois voltem a se reunir nos próximos dias, assim que Lula retornar dos Estados Unidos. O presidente quer garantir que Messias continue na equipe ministerial, enquanto o ministro avalia as possibilidades de atuação em um ambiente que considera hostil. A situação reflete as tensões entre o Executivo e o Legislativo, que têm se intensificado nos últimos meses.
Messias, conhecido como "prata da casa" por sua trajetória no serviço público, conta com apoios de lideranças do PT e boa aceitação de parlamentares da bancada evangélica, o que pode facilitar sua permanência no governo em outra função.



