A família de Arthur Jordão Lara, um menino de seis anos que enfrenta uma batalha contra uma doença genética rara, fez um alerta urgente à população de Sorocaba, no interior de São Paulo. Criminosos estão se aproveitando da comoção em torno da campanha de arrecadação para o tratamento do garoto para aplicar golpes financeiros.
Estelionatários criam chaves PIX falsas
Segundo informações divulgadas pela própria família nas redes sociais, estelionatários estariam criando e compartilhando chaves PIX falsas. Eles se passam por organizadores da vaquinha solidária, enganando pessoas de boa-fé que desejam ajudar. A fraude alega que as doações feitas nessas chaves fraudulentas seriam destinadas ao custeio do medicamento vital para Arthur, que tem um valor astronômico de R$ 17 milhões.
A orientação da família é clara e direta: antes de realizar qualquer transferência, os doadores devem verificar cuidadosamente se estão utilizando a chave PIX oficial. É fundamental confirmar se o nome do destinatário que aparece na tela do aplicativo bancário é exatamente Arthur Jordão Lara. Qualquer variação ou nome diferente indica uma tentativa de golpe.
A luta de Arthur contra a Distrofia Muscular de Duchenne
Arthur foi diagnosticado com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), uma condição genética degenerativa e progressiva. A doença afeta gravemente os músculos esqueléticos, o coração e o sistema nervoso. Conforme o prognóstico apresentado à família, a evolução da DMD pode levar à perda da capacidade de andar por volta dos 11 anos, à necessidade de uso de respirador aos 20 anos e reduzir drasticamente a expectativa de vida, com risco de óbito por volta dos 30 anos.
O problema central da DMD é uma mutação genética que impede o corpo de produzir a distrofina, uma proteína essencial que age como um amortecedor e estabilizador das membranas musculares. Sem ela, os músculos se danificam facilmente e perdem a capacidade de se regenerar, enfraquecendo progressivamente.
Existe um medicamento de terapia gênica aprovado no Brasil, com registro concedido de forma excepcional pela Anvisa. No entanto, seu acesso é extremamente restrito e não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a indicação é apenas para pacientes entre quatro e sete anos que ainda conseguem andar de forma independente, sem auxílio de cadeira de rodas ou andador. Arthur, com seis anos, está nessa janela de oportunidade, o que torna a corrida pelo tratamento ainda mais urgente.
Campanha legítima já arrecadou R$ 795 mil
Enquanto enfrenta a batalha judicial para conseguir o remédio de alto custo, a família mantém uma campanha de arrecadação legítima. Até a última atualização, os esforços solidários haviam reunido a quantia de R$ 795 mil. Um valor significativo, mas ainda muito distante dos R$ 17 milhões necessários.
Além do isolamento para se proteger de doenças comuns, que poderiam ser fatais em seu estado de saúde, Arthur agora tem seu nome e sua história usados como isca por criminosos. A família segue na luta em duas frentes: pela vida do filho e pela conscientização do público para que a solidariedade não seja desviada por ação de golpistas.
A situação reforça a importância de sempre checar a veracidade das informações e os dados de recebedores em campanhas de doação online, especialmente quando envolvem casos sensíveis e urgentes como o de Arthur Jordão.