A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) está investigando um possível ataque digital coordenado contra o Banco Central e a própria entidade. O alvo das críticas foi a decisão de liquidar o Banco Master, com um volume incomum de postagens pagas promovidas por influenciadores de perfil político de direita.
Pico atípico nas redes sociais
Por meio de monitoramento realizado por empresas especializadas, a Febraban identificou um "volume atípico" de publicações no final de dezembro de 2025. Essas postagens mencionavam a federação e seus representantes no contexto da liquidação do Banco Master. O pico de atividade concentrou-se em um período de aproximadamente 36 horas, pouco antes da virada do ano.
Em nota, a entidade bancária confirmou que analisa se o conteúdo detectado configura um ataque coordenado. A Febraban também informou que já observou uma redução significativa nesse volume anormal de publicações nas últimas datas. Os levantamentos de monitoramento têm caráter interno e não são divulgados publicamente pela federação.
Influenciadores e propostas pagas
O episódio ganhou novos detalhes com relatos de que influenciadores digitais alinhados à direita teriam recebido propostas financeiras para difundir uma narrativa crítica. O objetivo seria questionar a credibilidade do Banco Central, sugerindo que a liquidação do Master foi precipitada ou injusta.
De acordo com as informações, a estratégia, batizada de "DV" – iniciais associadas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro –, buscava impulsionar vídeos e postagens. O conteúdo exploraria análises do Tribunal de Contas da União (TCU) que mencionavam indícios de "precipitação" na decisão do BC, com o intuito de ampliar a desconfiança em relação ao regulador e criar um ambiente de desgaste institucional.
Alguns influenciadores confirmaram publicamente terem sido abordados. O vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel e a influenciadora Juliana Moreira Leite relataram ter recebido propostas para produzir conteúdo criticando a atuação do Banco Central no caso Master. Ambos afirmaram ter recusado as ofertas.
Contexto e posicionamento da Febraban
A movimentação ocorre em um momento de intensos debates sobre regulação financeira e credibilidade institucional, temas que frequentemente se tornam alvo de campanhas organizadas nas redes sociais. Ao reconhecer e investigar o episódio, a Febraban sinaliza que acompanha o ambiente digital e busca preservar a confiança no setor financeiro.
A nota da federação reforça que a entidade não realiza monitoramentos específicos para identificar supostos movimentos coordenados contra outras instituições. No entanto, ao se manifestar sobre este caso, a Febraban se posiciona como uma parte interessada em proteger a legitimidade dos órgãos de supervisão bancária do país.
O caso ilustra como disputas técnicas e institucionais, como a liquidação de um banco, podem migrar para a arena digital, marcada por campanhas de influência e tentativas de desestabilização de reputações. A investigação sobre a origem e o padrão das postagens identificadas pela Febraban continua em andamento.