São Sebastião do Paraíso registra dois casos graves de maus-tratos a animais em apenas três dias
A cidade de São Sebastião do Paraíso, no interior de Minas Gerais, está em alerta após a ocorrência de dois casos graves de violência contra animais em um intervalo de apenas setenta e duas horas. A situação mobilizou moradores e protetores de animais, que organizaram uma manifestação pública para o próximo domingo (8), às 15 horas, em frente à Casa da Cultura local.
Desaparecimento do cachorro comunitário Doidão gera comoção
O primeiro caso que desencadeou a mobilização comunitária envolve o desaparecimento do cachorro comunitário conhecido como Doidão. O animal, que vivia há mais de uma década no bairro Brás, era cuidado coletivamente por moradores e voluntários da região. Segundo relatos, Doidão foi visto pela última vez entrando na residência de uma moradora, conforme registrado em imagens que circulam entre os cuidadores.
A servidora pública Andrea Alves Damaceno, integrante da rede de cuidados há cinco anos, descreveu o impacto do desaparecimento: "Quando a gente descobriu o desaparecimento, foi um choque para todo mundo. Ele era parte da rotina do bairro, um cachorro dócil, conhecido por todos".
O caso ganhou contornos ainda mais preocupantes quando informações não confirmadas circularam sobre a possível morte do animal. A Polícia Civil, no entanto, mantém cautela e afirma que o caso segue sob investigação, sem confirmação oficial sobre o óbito.
Investigação policial aponta para crime de abandono qualificado
O delegado Rafael Gomes, responsável pelas investigações, revelou que a polícia já colheu depoimentos de seis pessoas e identificou indícios concretos. "Já temos elementos suficientes para afirmar que o animal foi abandonado, o que configura crime de maus-tratos qualificado", declarou o delegado.
As investigações apontam que Doidão teria sido abandonado na zona rural do município vizinho de São Tomás de Aquino. A polícia teve acesso a um vídeo recente que mostra o cachorro em uma estrada de terra, visivelmente debilitado. Buscas realizadas na área não localizaram o animal.
Um aspecto que aumenta a gravidade do caso é a condição de saúde de Doidão. O veterinário Nilson Labanca informou que o animal estava em tratamento contra um câncer no abdômen, tendo passado por cirurgia recentemente e necessitando de cuidados especiais contínuos.
Ataque violento contra cadela de seis meses amplia indignação
Enquanto a comunidade ainda se mobilizava pelo desaparecimento de Doidão, um segundo caso de violência veio à tona na quarta-feira. A cadela Cristal, de apenas seis meses de idade, foi encontrada com um corte profundo no tórax, ferimento que suspeita-se ter sido provocado por uma faca.
A veterinária Danielle Ávila, responsável pelo atendimento emergencial, descreveu a gravidade do estado do animal: "Ela tinha um sangramento intenso e muita bicheira. Foram feitos exames para avaliar se ela precisaria de transfusão de sangue, já que aparentemente perdeu bastante sangue".
Manifestação busca pressionar por justiça e conscientização
Os dois episódios consecutivos catalisaram a organização do protesto marcado para domingo. A vereadora Daiane Andrade, uma das vozes ativas na mobilização, destacou o caráter recorrente do problema: "Infelizmente, os casos de maus-tratos acontecem todos os dias. Chega um momento em que a sociedade precisa se manifestar".
A servidora pública Letícia Pimenta de Almeida expressou o sentimento da comunidade: "Nada menos do que justiça. A gente espera uma investigação séria e que os culpados sejam punidos conforme a lei".
Contexto estadual revela aumento alarmante de casos
Os incidentes em São Sebastião do Paraíso refletem uma tendência preocupante em Minas Gerais. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do estado revelam que, entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 5.540 casos de maus-tratos a animais. Este número representa um aumento expressivo de 47,65% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A Polícia Civil reforça que as investigações sobre os dois casos seguem em andamento, com promessa de novas informações assim que confirmadas oficialmente. A manifestação de domingo representa não apenas uma cobrança por respostas específicas, mas também um chamado mais amplo por políticas efetivas de proteção animal na região.



