Justiça mantém prisão de seis homens e internação de dois adolescentes por agressão a capivara no Rio
O juízo da Central de Audiência de Custódia de Benfica decidiu, nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, manter a prisão de seis homens detidos no último sábado, 21 de março, por agredir violentamente uma capivara na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro. A decisão judicial converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, enquanto dois adolescentes envolvidos no mesmo crime tiveram suas internações provisórias determinadas pela Vara da Infância e da Adolescência da Capital no domingo, 22 de março.
Detalhes do crime e dos acusados
Os seis adultos identificados como Wagner da Silva Bernardo, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues, José Renato Beserra da Silva e Isaias Melquiades Barros da Silva, juntamente com os dois adolescentes, são acusados de cometer o crime ambiental durante a madrugada do último sábado na Rua Repouso, no Jardim Guanabara. Segundo a denúncia, os agressores utilizaram barras e ripas de madeira, algumas contendo pregos, para espancar o animal indefeso, causando intenso sofrimento físico.
As imagens do ato de crueldade, amplamente divulgadas pela mídia e que circularam nas redes sociais, foram fundamentais para a localização e prisão dos oito acusados ainda no dia do crime. O juiz Rafael Rezende, em sua decisão, destacou a gravidade concreta do delito, afirmando que "a pluralidade de agentes, o envolvimento de adolescentes no crime, o potencial lesivo dos instrumentos usados e a diversidade de golpes desferidos aumentam a reprovabilidade da conduta dos custodiados".
Fundamentação da decisão judicial
Na sentença, o magistrado ressaltou que a extrema crueldade demonstrada no crime justifica a necessidade da prisão cautelar para garantir a ordem pública. "As imagens revelam a extrema crueldade do crime praticado. Ante o exposto, converto a prisão em flagrante em prisão preventiva", determinou o juiz. Ele também negou os pedidos das defesas dos acusados por liberdade provisória, mesmo argumentando residência fixa e réu primário, considerando que a natureza violenta do ato supera tais fatores.
O crime ocorreu em uma área urbana do Rio de Janeiro, evidenciando preocupações com a segurança pública e o bem-estar animal na cidade. A decisão judicial reflete um posicionamento firme contra atos de violência ambiental, especialmente quando envolvem maus-tratos a animais silvestres como as capivaras, que são protegidas por lei.
Impacto e consequências legais
Este caso chama a atenção para a importância da aplicação rigorosa das leis ambientais e de proteção animal no Brasil. A internação provisória dos adolescentes sob a jurisdição da Vara da Infância e da Adolescência indica que o sistema judicial está tratando o incidente com a seriedade necessária, considerando tanto a idade dos envolvidos quanto a gravidade das ações.
As autoridades continuam a investigar o caso, e espera-se que as penas aplicadas sirvam como um exemplo para dissuadir futuros crimes similares. A sociedade civil e organizações de defesa animal têm acompanhado de perto o desfecho, pressionando por justiça e medidas preventivas contra a violência urbana dirigida a espécies nativas.



