Polícia pede apreensão de passaporte de adolescente suspeito de agredir cão Orelha em SC
Polícia pede apreensão de passaporte de suspeito de agredir cão em SC

Polícia de Santa Catarina pede apreensão de passaporte de adolescente suspeito de agredir cão Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina formalizou, nesta sexta-feira (6), um pedido à Justiça para a apreensão do passaporte de um adolescente suspeito de cometer agressões contra o cão comunitário Orelha, que faleceu em Florianópolis. A medida tem como objetivo principal impedir que o jovem deixe o território nacional enquanto as investigações prosseguem. A Polícia Federal foi devidamente notificada sobre a solicitação, reforçando a vigilância nas fronteiras.

Detalhes da investigação e laudos periciais

O cachorro Orelha foi encontrado em estado grave na Praia Brava, uma região turística de Florianópolis, e não resistiu aos ferimentos após ser encaminhado a uma clínica veterinária, falecendo em 5 de janeiro. Segundo a Polícia Civil, os laudos elaborados pela Polícia Científica, órgão pericial do estado, confirmaram que o animal sofreu um impacto violento na cabeça. As análises indicam que a lesão pode ter sido causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

A polícia aponta o adolescente como autor das agressões que resultaram na morte do cão e, além da apreensão do passaporte, solicitou a internação provisória do jovem. O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que anunciou planos de requerer novas diligências e esclarecimentos adicionais sobre os casos envolvendo os cães Orelha e Caramelo, bem como sobre alegações de coação e ameaça por parte de adultos parentes dos adolescentes investigados.

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Fragilidades apontadas pela defesa e ausência de imagens

Em entrevista à NSC TV, o advogado Alexandre Kale, representante legal do adolescente, argumentou que existem fragilidades nos indícios contra seu cliente. Ele destacou a falta de imagens que capturem o momento exato da agressão e a ausência de testemunhas que tenham presenciado o crime diretamente. A investigação, no entanto, reitera que não há registros visuais do episódio de violência.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal (DPA), explicou como a polícia identificou o suspeito. "Através do cruzamento de informações obtidas em análises de câmeras de monitoramento, que rastrearam tanto o deslocamento do cão Orelha quanto a posição dos adolescentes suspeitos, além de contradições significativas nas declarações do adolescente sobre seu local e vestuário no dia do fato, conseguimos apontar essa autoria", afirmou a delegada.

Requisitos para internação e histórico do adolescente

O delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei, esclareceu que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece critérios rigorosos para a internação provisória. Entre eles, estão a reiteração de atos infracionais, o descumprimento injustificado de medidas anteriores e a prática de infrações com violência ou grave ameaça.

"Neste caso, apontamos que o adolescente investigado no caso Orelha também foi identificado como autor de outros atos infracionais, incluindo furto, dano, injúria e ameaça. Combinado com a repercussão social do caso e a necessidade de garantir a segurança do próprio adolescente, esses fatores nos motivaram a representar pela internação provisória", explicou o delegado.

O nome e a idade do adolescente não foram divulgados pelas autoridades, em conformidade com o ECA, que prevê sigilo absoluto em procedimentos envolvendo menores de 18 anos. O cão Orelha era uma figura querida pelos moradores da Praia Brava, e sua morte gerou comoção e amplo debate sobre a proteção animal na região.

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