Polícia detalha provas que apontam adolescente como suspeito de agredir cão Orelha em Florianópolis
Polícia aponta suspeito de agredir cão Orelha em Florianópolis

Polícia Civil conclui investigação sobre morte do cão Orelha em Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou na terça-feira (3) as investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. As autoridades solicitaram a internação provisória de um adolescente, apontado como principal suspeito das agressões que levaram o animal à morte.

Análise de imagens e depoimentos fundamentou conclusão

De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, a investigação analisou mais de mil horas de imagens de segurança para reconstituir os fatos. As gravações mostram o adolescente saindo do condomínio onde estava hospedado às 5h25 do dia 4 de janeiro e retornando às 5h58, acompanhado por uma amiga.

"Ela não permaneceu com o adolescente durante todo o tempo e também não presenciou qualquer agressão ao animal", afirmou a delegada sobre a menina que aparece nas imagens, cujo envolvimento foi descartado pela polícia.

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Contradições nos depoimentos reforçaram suspeitas

O delegado Renan Balbino explicou que o adolescente se contradisse em diversos momentos durante os depoimentos e omitiu fatos importantes. "O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio. As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia", detalhou Balbino.

A polícia estabeleceu que as agressões ocorreram no intervalo entre 5h25 e 5h58, por volta das 5h30. Entre vários adolescentes inicialmente investigados, apenas um foi identificado como estando mais próximo do local no momento exato das agressões.

Defesa do adolescente contesta linha do tempo da polícia

Na quarta-feira (4), a defesa do adolescente divulgou um vídeo que, segundo os advogados, mostra Orelha caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro. Alexandre Kale, representante legal do adolescente, afirmou que o material evidencia a "fragilidade dos indícios" e que seria "muito leviano afirmar o exato momento em que o cachorro teria sido morto".

A delegada Mardjoli Valcareggi rebateu, explicando que testemunhas viram o animal ferido ainda no dia 4, e que o estado de saúde dele piorou significativamente no dia seguinte.

Laudo aponta gravidade das lesões sofridas por Orelha

O cão foi encontrado ferido na praia no dia 5 de janeiro e morreu após ser levado ao veterinário. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, relatou que o animal apresentava lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.

O laudo da Polícia Científica indica que Orelha sofreu um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por objeto rígido como madeira ou garrafa. As lesões evoluíram ao longo de dois dias, conforme depoimentos e laudos técnicos.

Fundamentação para pedido de internação provisória

O delegado Balbino explicou que o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece requisitos para internação provisória, incluindo reiteração de atos infracionais e prática com violência grave. "Nesse caso, nós apontamos que esse adolescente investigado no caso Orelha também foi apontado como autor de outros atos infracionais, sejam eles de furto, dano, injúria e ameaça", afirmou.

O nome e a idade do adolescente não foram divulgados, conforme prevê o ECA para procedimentos envolvendo menores de 18 anos. A polícia considerou ainda a repercussão social do caso e a necessidade de garantir a segurança do próprio adolescente para fundamentar o pedido de internação.

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