MP-SC pede exumação do corpo de cão comunitário Orelha para nova perícia
As investigações sobre a morte brutal do cão comunitário Orelha, que vivia na Praia Brava, bairro nobre de Florianópolis, capital de Santa Catarina, ganharam um novo capítulo nesta semana. O Ministério Público do estado apresentou um pedido formal à Justiça solicitando a exumação do corpo do animal, uma medida que visa permitir uma análise pericial mais detalhada das circunstâncias de sua morte.
Até o momento da publicação desta reportagem, o pedido de exumação ainda aguarda análise e decisão judicial, cabendo ao magistrado responsável bater o martelo sobre a diligência. O caso, que tem comovido a comunidade local e gerado ampla repercussão nas redes sociais, envolve a agressão fatal a um animal que era conhecido e querido pelos moradores da região.
Detalhes do crime e investigação policial
O cão Orelha foi vítima de uma pancada na cabeça no dia 4 de janeiro deste ano, conforme apontou o laudo pericial inicial. O documento não especificou o instrumento utilizado na agressão, deixando em aberto a possibilidade de ter sido um chute, uma garrafada ou até mesmo um soco. Após o ataque, o animal ficou perambulando pelas ruas do bairro, em evidente estado de sofrimento, até ser encontrado agonizando no dia seguinte, 5 de janeiro, embaixo de um carro.
A Polícia Civil de Santa Catarina, que concluiu as investigações preliminares na semana passada, indiciou um adolescente de 15 anos pela agressão ao animal. Segundo as autoridades policiais, o jovem estaria no mesmo horário e local em que Orelha foi agredido, fato que teria sido confirmado por imagens de câmeras de segurança da área.
Contestações da defesa e novos desdobramentos
A defesa do adolescente indiciado, no entanto, contesta veementemente as conclusões da polícia. Os advogados argumentam que havia várias outras pessoas na praia no momento apontado pelas investigações, o que poderia levantar dúvidas sobre a autoria do crime. Além disso, a defesa apresentou vídeos que mostram o animal perambulando pelas ruas da Praia Brava após a agressão, tentando demonstrar que o sofrimento prolongado de Orelha não necessariamente implicaria na culpa do seu cliente.
Os delegados responsáveis pelo caso rebateram essas alegações, explicando que uma coisa não exclui a outra. De acordo com as investigações, o animal passou o dia inteiro sofrendo em decorrência da pancada recebida, até que não resistiu mais aos ferimentos internos, o que justificaria o período de agonia antes da morte.
Outros inquéritos e complementações necessárias
O Ministério Público já havia sinalizado, ainda no final da semana passada, que devolveria o inquérito à Polícia Civil para complementar o que chamou de lacunas na investigação. Essa medida visa aprofundar os aspectos técnicos e legais do caso, assegurando que todas as evidências sejam devidamente analisadas antes de qualquer decisão judicial.
Vale ressaltar que outros três adolescentes inicialmente apontados como suspeitos no começo das investigações foram inocentados pela polícia, após a coleta de novas provas e depoimentos. Além disso, há um segundo inquérito em andamento, este por coação, que indiciou três adultos ligados ao adolescente principal. Eles são acusados de tentar ameaçar testemunhas do caso, numa tentativa de interferir no curso da justiça.
Esse inquérito também foi devolvido pelo Ministério Público para a Polícia Civil, com o objetivo de aprofundar as investigações e garantir que todas as nuances do crime sejam esclarecidas. A exumação do corpo de Orelha, se autorizada, poderá trazer novas luzes sobre as condições exatas da morte, reforçando ou não as acusações contra o adolescente indiciado.



