Mãe de adolescente investigado pela morte do cão Orelha nega ter escondido provas
A mãe do adolescente apontado pela Polícia Civil como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, negou categoricamente ter tentado ocultar provas durante a investigação. O caso, que aconteceu no dia 4 de janeiro, causou comoção nacional e mobilizou autoridades em Santa Catarina.
Detalhes da investigação e acusações
Segundo a polícia, o jovem de 15 anos teria espancado o animal durante a madrugada, entre 5h25 e 5h58. O relatório do inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que ainda avalia se pedirá novas diligências. A suspeita de ocultação surgiu após uma abordagem feita no aeroporto, quando o adolescente voltava de uma viagem aos Estados Unidos, cerca de 25 dias depois da agressão.
De acordo com os investigadores, familiares teriam tentado esconder um boné e um moletom que o jovem usava no dia do crime. Em entrevista ao programa Fantástico, a mãe contestou essa versão de forma veemente. “Em momento algum eu me neguei ou escondi, até porque eu levei o boné e ele estava com o moletom na viagem. Não tinha o que esconder e também não sabíamos que tipo de prova eles estavam procurando”, afirmou ela.
Andamento do caso e medidas judiciais
A pedido da polícia, a Justiça determinou a entrega do passaporte do menor, reforçando o caráter sério da investigação. A polícia analisou cerca de mil horas de gravações de câmeras de segurança e ouviu 24 testemunhas. Três outros adolescentes que chegaram a ser suspeitos foram descartados, porque não estavam no local no horário estimado da agressão.
O cão Orelha foi encontrado ferido no dia seguinte ao ataque, com lesões graves na cabeça. Ele chegou a ser levado a um veterinário, mas morreu pouco depois. Um laudo indireto, baseado no atendimento veterinário, apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça por objeto contundente. A Polícia Civil pediu a internação do menor, medida que tem gerado controvérsia.
Posição da defesa e críticas ao processo
Para o advogado do adolescente apontado como responsável pela agressão, há inconsistências no material reunido pela polícia. Segundo ele, “tem muita ponta solta ainda, muita coisa a ser apurada. Cadê a imagem do cachorro sendo morto? Cadê a imagem do adolescente matando esse cachorro?” A polícia, por sua vez, afirma que o adolescente entrou em contradição ao declarar inicialmente que havia ficado apenas na piscina do condomínio na manhã do ataque.
A defesa também criticou o pedido de internação, argumentando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não prevê essa medida para casos de violência contra animais. “É um absurdo. Não há uma violência contra uma pessoa. Há suposta violência contra animal. Nem clamor público pode ser motivo de causa para isso. E tem mais: nada tem de elemento para o adolescente ser cerceado da liberdade em virtude disso”, disse o advogado.
O caso continua sob análise do Ministério Público, que deve definir os próximos passos, incluindo possíveis acusações formais ou o arquivamento do inquérito. A comoção em torno da morte de Orelha reflete a crescente sensibilização da sociedade brasileira em relação aos direitos dos animais e à necessidade de investigações rigorosas em crimes dessa natureza.



