Tutor absolvido recupera cão após quatro anos de abrigo por agressão filmada em Praia Grande
Um caso que chocou a opinião pública e mobilizou defensores dos direitos animais em Praia Grande, no litoral de São Paulo, teve um desfecho polêmico. Um homem, filmado agredindo violentamente seu próprio cachorro no ano de 2022, foi absolvido por falta de provas pela 1ª Vara Criminal da cidade e, após uma longa espera de quatro anos, conseguiu a devolução do animal em janeiro deste ano. A decisão judicial, confirmada em janeiro, gerou indignação e levou entidades de proteção animal a entrarem com novas ações na tentativa de resgatar o cão novamente.
As agressões filmadas e a absolvição controversa
Os fatos ocorreram no bairro Parque das Américas, em 2022, após o cachorro, um vira-lata, ter mexido no lixo. Nas imagens que viralizaram, é possível ver o tutor subindo em cima do corpo do animal, cuspindo na sujeira e, em seguida, segurando o cão com uma mão enquanto desferia diversos tapas com a outra. A cena, de extrema violência, foi registrada e denunciada às autoridades, levando à abertura de um processo por maus-tratos contra animais.
No entanto, em novembro de 2025, a Justiça decidiu pela absolvição do homem, alegando que os elementos colhidos durante o processo judicial não confirmaram adequadamente as evidências obtidas na fase policial inicial. Com a sentença tornando-se definitiva, o animal, que havia sido retirado da guarda do tutor e estava sob os cuidados da Divisão de Saúde Ambiental de Praia Grande desde 1º de novembro de 2022, foi devolvido em janeiro.
Quatro anos de abrigo e a luta pela proteção do animal
Durante os quatro anos de separação, o cachorro, carinhosamente apelidado de "Preferido" pelos funcionários, viveu em um abrigo municipal. Leila Abreu, presidente do Instituto Eliseu, relatou que o tutor chegou de bicicleta para buscá-lo e, segundo ela, pretendia mantê-lo preso a uma corrente, o que aumentou a preocupação com o bem-estar do animal.
Diante da decisão judicial, o Instituto Eliseu, em parceria com o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, entrou com uma ação na tentativa de retirar novamente o cão da guarda do homem. O vereador Cadu Barbosa (PRD), que havia registrado o caso de maus-tratos no 3º Distrito Policial da cidade em outubro de 2022, afirmou que tentará conversar pessoalmente com o juiz responsável pela sentença para revisar a situação.
Repercussão e busca por respostas
O boletim de ocorrência registrado pelo vereador indicava que essa não teria sido a primeira vez que o homem agrediu o animal, e a Polícia Civil chegou a indiciá-lo pelo crime de maus-tratos. No entanto, a absolvição posterior levantou questões sobre a eficácia das leis de proteção animal e a aplicação da justiça em casos similares.
O g1 procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para obter mais esclarecimentos sobre a decisão, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A defesa do homem também não foi localizada para comentários, deixando muitas perguntas sem resposta sobre os motivos que levaram à absolvição e o futuro do cachorro.
Este caso destaca a complexidade e os desafios enfrentados na luta contra os maus-tratos animais, especialmente quando as evidências, mesmo sendo filmadas, não são consideradas suficientes para garantir uma condenação. A mobilização das entidades de proteção animal e a atenção da mídia continuam pressionando por uma revisão que assegure o bem-estar do cão Preferido.



