Guarda aposentado agride cachorro em elevador e alega tentar apartar briga entre animais
Um guarda civil municipal aposentado, identificado como Christiano José Bezerra da Silva, de 58 anos, agrediu seu próprio cachorro dentro do elevador de um prédio em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O caso veio à tona após uma denúncia anônima recebida pelo 3° Distrito Policial de Praia Grande no dia 3 de março, e as imagens de câmeras de monitoramento confirmaram as agressões.
Imagens mostram violência contra animal de pequeno porte
No vídeo, é possível ver Christiano dando tapas e chutes no cão de pequeno porte, além de chacoalhá-lo pendurado pela coleira, que chegou a se soltar do pescoço do animal. As autoridades policiais acessaram as gravações, que servem como prova crucial para a investigação. O delegado Rodrigo Iotti, titular do 3º DP, explicou que as imagens serão analisadas pelo Ministério Público e pela Justiça.
Suspeito alega defesa e é liberado após depoimento
Christiano prestou depoimento nesta terça-feira (17), acompanhado de um advogado, e foi liberado. Ele afirmou que possui dois cachorros e que, ao entrarem no elevador, os animais teriam se desentendido. Segundo sua versão, ele utilizou força física para cessar as agressões entre os cães. “Ele disse que possui dois cachorros e quando eles entraram no elevador, teriam se desentendido e ele teria, então, utilizado de força física justamente para cessar essas agressões entre os animais”, detalhou o delegado Iotti em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
Laudo veterinário não constata lesões, mas crime é configurado
O cachorro apreendido passou por um exame veterinário, e o laudo não constatou lesões. No entanto, o delegado ressaltou que isso não isenta Christiano de responsabilidade. “Configura crime, é um crime de mera conduta. Ou seja, maltratar animal, ainda que não cause a lesão, é crime. Portanto, ele vai responder por tal crime”, afirmou Iotti. O caso é tratado como um crime de perigo abstrato, e o inquérito será concluído com o indiciamento do investigado.
Defesa do aposentado busca recuperar o animal
O advogado Leonardo Camargo, que representa Christiano, considerou o laudo uma vitória, pois não evidenciou violência. “Ele veio inconclusivo para nenhum tipo de violência ao animal. Então está descartada a versão de violência nesse primeiro momento”, disse em entrevista. A defesa pretende recuperar o cachorro apreendido, argumentando que o animal é visto como um ente querido pela família. “O Brasil entende o animal como uma propriedade, mas isso se extrapola no âmbito familiar, é um ente querido, um ente amado, então a defesa sai hoje com primeiro emprego dessa força para que esse animal seja voltado para o seio familiar dessa família”, explicou Camargo.
Resistência durante apreensão e detalhes do ocorrido
Durante a apreensão do cachorro, realizada no dia 6 de março, Christiano questionou os policiais sobre quem teria feito a denúncia, classificando a situação como um “absurdo”. De acordo com o boletim de ocorrência, sua esposa resistiu à ordem judicial e trancou o animal em um cômodo do apartamento, sendo posteriormente convencida por Christiano a entregá-lo aos agentes. O vídeo mostra o homem entrando no elevador com dois cachorros, mas apenas um é visto sendo agredido.
O caso continua sob investigação, e as autoridades reforçam que maus-tratos a animais são crimes passíveis de punição, independentemente da existência de lesões físicas. A comunidade local tem acompanhado o desfecho com atenção, destacando a importância da proteção animal.



