Comerciante chinês é condenado a 5 anos por crueldade extrema contra 26 cães em São Paulo
Condenação por crueldade extrema contra cães em SP

Comerciante chinês recebe pena de prisão por crueldade extrema contra cães em São Paulo

A Justiça de São Paulo condenou o comerciante chinês Gouzhen Zeng a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de uma multa, por praticar crueldade extrema contra 26 cachorros. Os animais, em sua maioria da raça american bully, eram mantidos em condições degradantes em estabelecimentos localizados na região da República, no centro da capital paulista. Doze dos cães acabaram morrendo em decorrência dos maus-tratos sofridos, conforme detalhado na sentença judicial.

Condições precárias e práticas abusivas reveladas

De acordo com as investigações e depoimentos apresentados no processo, os cães eram mantidos em um quarto escuro nos fundos de uma loja, sem acesso adequado a comida, água ou higiene básica. Testemunhas relataram que Zeng batia nos animais, cortava suas orelhas de forma inadequada e tentava realizar inseminações caseiras, introduzindo o sêmen de machos nas fêmeas de maneira rudimentar e perigosa.

Uma funcionária de um estabelecimento vizinho descreveu a situação como chocante, afirmando que ouvia os cães chorando constantemente e sentia um odor forte proveniente do local. Ela também testemunhou que o réu soltava uma das cachorras para assustar clientes que permaneciam na loja sem efetuar compras, demonstrando total desrespeito pelo bem-estar dos animais.

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Resgate e recuperação dos animais sobreviventes

Uma protetora de animais, que resgatou dezoito dos cães, declarou em juízo que nunca havia visto algo tão horrível como as condições em que os animais se encontravam. Todos os cachorros apresentavam cinomose, uma doença viral altamente contagiosa e potencialmente letal, que poderia ter sido prevenida com vacinação adequada.

Felizmente, todos os animais resgatados foram adotados ou estão em lares temporários, e a protetora relatou que estão muito bem com as famílias. No entanto, os custos com castrações e cuidados gerais somaram 43.620 reais, valor que Zeng foi condenado a indenizar à protetora como parte da pena.

Defesa rejeitada e fundamentação da sentença

O advogado de Zeng tentou argumentar que seu cliente, por ser estrangeiro e não falar português fluentemente, não tinha conhecimento de que suas ações eram ilícitas. Alegou ainda que os cães estavam gordinhos e bem cuidados, uma afirmação que contrastava drasticamente com as evidências apresentadas.

O juiz Sirley Claus Tonello rejeitou completamente essas justificativas. Em sua decisão, destacou que, mesmo considerando possíveis diferenças culturais no tratamento de animais entre China e Brasil, isso não poderia servir para justificar maus-tratos da magnitude verificada. O magistrado ressaltou que Zeng reside no Brasil há muitos anos e se comunicava normalmente com suas funcionárias, o que demonstrava seu entendimento das regras sociais mínimas vigentes no país.

A sentença enfatizou que o réu não pode se valer de sua condição de estrangeiro para se eximir da responsabilidade pelos atos de crueldade praticados. A decisão ainda está sujeita a recurso, mas representa um marco significativo na luta contra os maus-tratos animais em São Paulo.

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