Cão comunitário Orelha é torturado e não resiste aos ferimentos em Florianópolis
A investigação sobre a morte do cão de rua comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, foi concluída pela Polícia Civil nesta semana, revelando detalhes chocantes de agressão e tentativas de interferência no processo. O animal, conhecido na comunidade, faleceu devido à gravidade dos ferimentos, e um adolescente foi apontado como responsável por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.
Coação e ocultação de provas por familiares dos suspeitos
Segundo a Polícia Civil, a investigação foi marcada por ações de coação e tentativas de ocultar provas por parte de familiares dos suspeitos. Três adultos, parentes de adolescentes investigados, foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha do caso. A coação, crime que envolve ameaças ou agressões para interferir em processos judiciais, foi direcionada a um vigilante de condomínio que possuía uma foto relevante para a investigação.
O caso chegou à polícia em 16 de janeiro, quase duas semanas após a morte de Orelha, ocorrida em 4 de janeiro. Inicialmente, outros adolescentes foram considerados suspeitos antes da identificação do jovem apontado como autor do ataque.
Detalhes das evidências apreendidas
Durante a abordagem do adolescente no aeroporto, após sua volta dos Estados Unidos, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava com ele. A peça foi apreendida e identificada como a mesma usada no dia das agressões. A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal (DPA), destacou esse fato como uma tentativa clara de obstrução.
Além disso, um moletom foi apreendido na bagagem do adolescente. Um familiar alegou que a peça havia sido comprada durante uma viagem à Disney, mas a polícia comparou-a com imagens de vídeo que mostram o jovem saindo e voltando a um condomínio no horário estimado da agressão, por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro.
Defesa contesta autoria e apresenta vídeo
O advogado Alexandre Kale, representante legal do adolescente, contestou a autoria, argumentando que há fragilidade dos indícios. Ele afirmou que não existem imagens do momento da agressão nem testemunhas que tenham presenciado o crime diretamente.
Em um vídeo divulgado pela defesa na quarta-feira (4), é possível ver Orelha caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro, horário posterior ao estimado pela polícia para a agressão. A delegada Valcareggi confirmou a veracidade do vídeo, mas reforçou que a Polícia Civil nunca afirmou que o cão morreu imediatamente após as agressões.
Encaminhamento do caso ao Ministério Público
O Ministério Público de Santa Catarina informou, nesta quinta-feira (5), que recebeu o relatório das investigações, que está sendo analisado pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso agora aguarda decisões sobre possíveis medidas judiciais contra os envolvidos.
Este triste episódio ressalta a importância da proteção animal e a necessidade de investigações rigorosas, mesmo diante de tentativas de obstrução. A comunidade de Florianópolis segue atenta ao desfecho, esperando justiça para Orelha, o cão comunitário que era parte do cotidiano local.



