Cão comunitário sofre queimaduras após ataque com líquido quente em Goiânia
Cão comunitário queimado com líquido quente em Goiânia

Cão comunitário sofre ataque cruel com líquido quente em Goiânia

Um crime de extrema crueldade chocou moradores do Setor Castelo Branco, em Goiânia, no dia 5 de março. Johnny, um cachorro comunitário conhecido e querido pela vizinhança, foi vítima de um ataque covarde enquanto dormia tranquilamente na calçada. Uma mulher se aproximou do portão de uma residência e jogou um líquido quente sobre o animal indefeso, que fugiu gritando de dor, conforme registrado por câmeras de segurança da região.

Investigação policial avança com perícia e depoimentos

A delegada Simelli Lemes, do Grupo de Proteção Animal, detalhou ao g1 que uma perícia realizada no animal comprovou tratar-se de uma queimadura térmica. "Foi identificada queimadura térmica, mas a substância não foi identificada através da perícia, pois o local já havia sido limpo e o animal está em tratamento, sendo ministrados medicamentos, o que atrapalha na identificação", explicou a autoridade policial. As primeiras testemunhas devem ser ouvidas ainda nesta segunda-feira (16), e a suspeita, na terça-feira (17).

Caso a autoria do crime seja comprovada, a responsável pode responder por maus-tratos qualificados, com pena de prisão de até cinco anos. A delegada ressaltou que o novo decreto "Cão Orelha", que endurece as punições por maus-tratos, foi aprovado após o ocorrido e, portanto, não se aplica a este caso específico.

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Suspeita nega versão, mas perícia contradiz alegações

Quando a TV Anhanguera visitou o local do crime, Cassilda Ferreira de Almeida, moradora da casa, afirmou que apenas jogou água com produto de limpeza no animal durante uma faxina. No entanto, a perita criminal e médica veterinária Bruna Patini foi enfática ao discordar: "Foi algum líquido quente. Não conseguimos identificar o agente, se foi água ou óleo quente, mas conseguimos saber que foi uma ação térmica pelas características da lesão".

Sequelas graves e trauma persistente no animal

A veterinária Ana Paula alertou que o líquido causou uma lesão extensa na pele de Johnny, precisamente na região mais atingida pela posição em que ele estava deitado. Mesmo com tratamento adequado, o cão ainda corre risco de desenvolver infecções ou problemas renais. O animal foi acolhido por moradores comovidos após o ataque e recebe cuidados constantes.

Cláudia Oliveira, assistente educacional que participa do resgate, relatou que Johnny chorou por três noites seguidas durante a medicação e, mesmo com a melhora clínica, ainda apresenta sinais evidentes de trauma. "Ele melhora, mas quando ele acorda, todo dia, ele está tremendo", desabafou, destacando o sofrimento psicológico que persiste no animal.

A comunidade local segue mobilizada, acompanhando de perto a investigação e torcendo pela recuperação completa de Johnny, cujo caso expõe a necessidade de maior proteção aos animais e rigor na aplicação das leis contra maus-tratos.

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