Polícia Civil de Santa Catarina encaminha inquérito do caso Orelha ao Ministério Público
A Polícia Civil de Santa Catarina entregou ao Ministério Público estadual a conclusão das investigações sobre os maus-tratos contra os cachorros Orelha e Caramelo. O caso, que ganhou grande repercussão nacional, agora segue para análise da 10ª Promotoria da Infância e Juventude de Florianópolis, que decidirá sobre medidas judiciais.
Detalhes da investigação e morte do cão Orelha
Segundo as autoridades policiais, o ataque violento ao cão Orelha ocorreu na manhã do dia 4 de janeiro, resultando na morte do animal no dia seguinte. O relatório veterinário apontou que o sofrimento foi causado por uma pancada na cabeça, possivelmente provocada por um chute ou outro objeto contundente.
Inicialmente, a investigação indicava quatro adolescentes como suspeitos. No entanto, após uma análise minuciosa que incluiu mais de mil horas de imagens de câmeras, ouvidas de testemunhas e exame de provas materiais, os policiais descartaram a participação de três desses jovens.
Contradições e evidências contra o principal suspeito
O adolescente restante, considerado o principal suspeito, apresentou contradições em seu depoimento. Ele afirmou ter permanecido na área da piscina do condomínio, mas as gravações mostram que ele se dirigiu à praia com uma amiga pouco antes do horário estimado das agressões.
A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal de Florianópolis, destacou que detalhes forenses foram cruciais para a conclusão. "Chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou comportamento suspeito ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem. Depois, também nas oitivas, o adolescente confirmou que já tinha adquirido anteriormente", explicou a autoridade.
Essas peças de vestuário, um boné rosa e um moletom, foram apreendidas quando o jovem retornou ao Brasil de uma viagem, reforçando as suspeitas.
Defesa do adolescente e tramitação do caso
O advogado de defesa, Alexandre Kale, argumentou em favor do seu cliente. "Ele se confundiu, mas em nenhum momento ele mentiu. É uma coisa totalmente diferente. Os indícios são fracos, inconsistentes e, por isso, nós precisamos esclarecer os pontos divergentes, até com uma certa estranheza, para poder esclarecer os fatos da maneira mais célere e que a verdade venha à tona", afirmou.
O inquérito, recebido pelo Ministério Público na quarta-feira (4), solicita a internação provisória do adolescente. O caso tramita em segredo de Justiça, uma vez que envolve menores de idade, e não há prazo definido para uma decisão final.
Investigação paralela sobre o cão Caramelo
Além do caso Orelha, a polícia também encaminhou ao Ministério Público a investigação referente às agressões sofridas pelo cão Caramelo. Nesse episódio, que aconteceu em data distinta, quatro adolescentes são apontados como envolvidos. As identidades das defesas desses jovens não foram divulgadas publicamente.
O Ministério Público de Santa Catarina agora assume a responsabilidade de analisar todas as provas e determinar se irá representar judicialmente os cinco adolescentes implicados nos dois casos de maus-tratos animais.



