Canil clandestino no Piauí: 4 de 10 cães resgatados têm leishmaniose
Canil clandestino: cães resgatados com leishmaniose

Uma operação da Polícia Civil no litoral do Piauí resultou no resgate de cães que eram mantidos em condições precárias em um canil clandestino. A ação, realizada na quinta-feira (8), em Parnaíba, revelou uma situação grave de maus-tratos e um surto de uma doença perigosa entre os animais.

Condições precárias e diagnóstico alarmante

O delegado Renato Pinheiro, responsável pelo caso, detalhou que o estabelecimento funcionava sem alvará de funcionamento e sem licenças sanitárias ou veterinárias. Doze animais foram encontrados confinados em gaiolas, sem condições adequadas de higiene ou estrutura.

Após o resgate, exames rápidos realizados nos dez cães que foram inicialmente avaliados trouxeram um resultado preocupante: quatro deles foram diagnosticados com leishmaniose visceral. A doença é infecciosa e pode ser fatal se não tratada.

"É uma doença infectocontagiosa. É possível que os outros animais também estejam infectados, por isso eles não foram destinados para a adoção por enquanto", explicou o delegado Renato Pinheiro na sexta-feira (9). Todos os cães, incluindo animais das raças Spitz Alemão e Pincher, estão sob cuidados veterinários e recebendo tratamento.

Operação policial e responsabilização

A investigação apurou que os animais estavam desnutridos, desidratados e alguns apresentavam doenças. "Foi identificado ali uma situação de maus-tratos", completou Pinheiro. Dois suspeitos foram presos em flagrante e, segundo a polícia, já passaram pela audiência de custódia.

O caso expõe os riscos de estabelecimentos que operam à margem da lei, sem qualquer tipo de fiscalização. A falta de alvarás e de supervisão profissional permitiu que a situação de saúde dos animais se deteriorasse, culminando no diagnóstico de uma zoonose grave.

O que é a leishmaniose visceral e como prevenir

A leishmaniose visceral é uma doença causada pelo protozoário Leishmania chagasi. A transmissão para humanos e cães ocorre através da picada do mosquito-palha fêmea infectado. Nos seres humanos, os sintomas incluem febre prolongada, perda de peso, aumento do fígado e baço e anemia. Sem tratamento, a taxa de letalidade pode chegar a 90%.

Em cães, os sinais são emagrecimento, feridas na pele (especialmente no focinho, orelhas e patas), crescimento anormal das unhas, vômitos e apatia. A prevenção é multifatorial e essencial, principalmente em áreas endêmicas:

  • Eliminar matéria orgânica e lixo acumulado, que são criadouros do mosquito-palha.
  • Limpar regularmente locais com fezes de animais.
  • Usar coleiras repelentes específicas para cães.
  • Instalar telas em portas e janelas.
  • Evitar passeios com os pets no início da manhã e fim da tarde, horários de maior atividade do mosquito.

O caso em Parnaíba serve de alerta para a importância da adoção responsável e da verificação das condições legais e sanitárias de canis e petshops. A população deve denunciar situações de maus-tratos aos órgãos competentes.