Tragédia em Socorro: Bebê de 11 meses morre após ataque de pitbull; polícia investiga maus-tratos e negligência
Uma cena de horror marcou o domingo (1º) em Socorro, no interior de São Paulo. Um bebê de apenas 11 meses perdeu a vida após ser atacado e arrastado por um cão da raça pitbull no quintal de sua própria residência. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas, ao chegar ao local, constatou que a criança já havia falecido. A tragédia, no entanto, revelou indícios ainda mais sombrios, levando a Polícia Civil a abrir investigação por homicídio culposo e maus-tratos contra a mãe e o padrasto da vítima.
Detalhes do ataque e investigação policial
O incidente ocorreu no início da tarde de domingo, na Estrada Luiz Corozolla, em Socorro. Segundo relatos, o bebê estava sentado em uma cadeira pequena no quintal quando foi surpreendido pelo pitbull, que ficava solto no espaço. O momento do ataque foi capturado pela câmera de segurança de um vizinho, fornecendo evidências cruciais para as autoridades. A Polícia Militar, ao registrar o boletim de ocorrência, descreveu a casa da família como "insalubre, com sujeira e ratos", levantando questões sobre as condições de vida da criança.
No Hospital Municipal de Socorro, uma médica que atendeu o caso constatou que o corpo do bebê apresentava sinais de maus-tratos que teriam ocorrido antes do ataque do animal. Com base nesses indícios, a Polícia Civil reclassificou o caso, que inicialmente era tratado como "morte suspeita", para incluir as investigações de homicídio culposo (sem intenção de matar), omissão de cautela na guarda de animais e maus-tratos. Até o início da tarde desta terça-feira (3), ninguém havia sido preso, mas mãe e padrasto são oficialmente investigados.
O destino do animal e depoimentos dos envolvidos
O pitbull, que pertence ao padrasto, foi recolhido pelo canil da Guarda Municipal e deverá ser encaminhado a uma ONG especializada em cães da raça. A polícia informou que o animal já teria mordido outras pessoas anteriormente, embora essas vítimas não tenham sido identificadas no momento do registro. Em seu depoimento à Polícia Militar, o padrasto relatou que tentou fazer o cão soltar o bebê aplicando um golpe de faca superficial no animal. Já na Polícia Civil, tanto ele quanto a mãe da criança optaram por permanecer em silêncio, com a expectativa de se pronunciarem na Justiça.
Perguntas que ainda precisam de respostas
A investigação segue em andamento para esclarecer pontos cruciais do caso. A Polícia Civil apura se a morte do bebê foi causada diretamente pelo ataque do pitbull ou se a criança já estava morta antes, possivelmente devido aos maus-tratos prévios. Além disso, as autoridades estão verificando, junto ao Conselho Tutelar, se a família já havia sido denunciada ou passava por algum tipo de acompanhamento. O Conselho Tutelar, em nota, afirmou que não cederá informações em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), solidarizando-se com a família em luto.
Outra questão em aberto é se o cachorro também era vítima de maus-tratos. A Polícia Civil aguarda um laudo veterinário para determinar as condições em que o animal era mantido. Este caso trágico levanta debates urgentes sobre responsabilidade na guarda de animais, condições de vida infantil e a necessidade de vigilância social para proteger os mais vulneráveis.



