Torre Palace: isolamento é preparado para implosão do antigo hotel de Brasília
As autoridades locais estão organizando o isolamento da área para a implosão do antigo Torre Palace, um hotel que faz parte do cenário de Brasília desde sua inauguração em 1973. O prédio, que será demolido neste domingo (25), dará lugar a um novo empreendimento, marcando o fim de uma era para um ícone arquitetônico da capital federal.
História e inauguração do Torre Palace
O Torre Palace foi fundado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj e inaugurado em 1973, quando Brasília tinha apenas 13 anos como capital. Com 14 andares e 140 apartamentos, o hotel rapidamente se tornou um símbolo de luxo e modernidade na nova cidade. Fotografias históricas do Arquivo Público do Distrito Federal mostram operários, obras e espaços desertos durante sua construção, capturando momentos únicos da história urbana.
Declínio e disputas familiares
Nos anos 2000, após a morte do patriarca, a esposa e os seis filhos herdaram o patrimônio, avaliado na época em R$ 200 milhões. No entanto, desacordos familiares sobre os rumos do estabelecimento levaram a conflitos judiciais. Em 2007, três filhos saíram da sociedade e entraram na Justiça pedindo parte da herança, estimada em R$ 51 milhões, a ser obtida com a venda do prédio para uma construtora.
Antes da conclusão da venda, a Justiça penhorou o local, e em 2013, o hotel fechou suas portas. Dois anos depois, em completo abandono, o prédio virou ponto para uso de drogas e convivência de moradores de rua, com vidros quebrados, pichações e danos à fachada devido a atos de vandalismo.
Operação de desocupação e limbo jurídico
Em 2016, o Governo do Distrito Federal realizou uma operação de desocupação no Torre Palace, envolvendo cerca de 200 homens do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais, dois helicópteros, e o uso de balas de borracha e bombas de efeito moral. A ação, que durou 40 minutos, custou R$ 802,94 mil, valor que o GDF tentou recuperar dos proprietários sem sucesso.
Um imbróglio burocrático manteve o imóvel em um limbo jurídico, impedindo restauração, venda ou demolição. Em 2019, a Justiça do DF negou um pedido de demolição, ordenando que os herdeiros fizessem a manutenção do espaço, ordem que, segundo o GDF, não foi cumprida.
Tentativas de venda e decisão final
Em 2020, o hotel foi a leilão pela Justiça do Trabalho, avaliado em R$ 35 milhões, para pagar dívidas trabalhistas de ex-funcionários. Após seis dias sem lances, uma segunda tentativa resultou na arrematação por R$ 17,6 milhões pela empresa RBS Administração de Imóveis LTDA, que posteriormente desistiu da compra.
No início de setembro, o governo voltou a se movimentar na Justiça para obter autorização de demolição, culminando na decisão de implodir o prédio neste domingo. As autoridades agora preparam o isolamento da área para garantir a segurança durante a operação, encerrando décadas de história e controvérsias em Brasília.