
Imagine a cena: você finalmente adquire um carro elétrico, movido a pura inovação e consciência ambiental, e descobre que o maior obstáculo não está na estrada, mas no seu próprio prédio. Foi exatamente isso que aconteceu com uma moradora de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Ela topou de frente com um "não" surpreendente ao tentar instalar seu carregador particular na vaga de garagem.
O síndico do residencial, um tal de Marcelo Krewer, simplesmente barrou a instalação. E o pior? Ninguém a avisou sobre essa regra antes. Zero comunicação. Na boa, que fria, não? Ele mesmo assumiu a bola fora: "Realmente, a gente errou em não informar antes, mas a norma existe", confessou, num misto de admitir o erro e justificar a postura.
O Cerne da Questão: Uma Questão de Regra ou de Bom Senso?
O argumento do síndico gira em torno de uma tal de convenção de condomínio. Segundo ele, qualquer modificação que mexa na infraestrutura predial — e a instalação de um ponto de recarga se enquadraria aqui — precisa passar pelo crivo de uma assembleia. Precisa de um aval coletivo, um voto de aprovação.
Mas aí a gente se pergunta: será que os regulamentos dos condomínios estão mesmo acompanhando a velocidade do futuro? Enquanto o mundo avança para a eletrificação, nossas regras internas parecem, por vezes, ainda engatinhar. É um conflito clássico: o direito individual de um morador versus as regras coletivas de convivência.
E Agora, José? O que Diz a Lei?
O caso não é isolado e nem simples. Especialistas em direito condominial frequentemente debatem esse tema. De um lado, a convenção do condomínio é soberana. Do outro, há quem discuta que negar a instalação de um equipamento essencial para o uso de um bem — no caso, o carro — poderia ser visto como uma restrição abusiva. Uma verdadeira saia justa jurídica.
O síndico Marcelo, pra ser justo, não parece ser o vilão da história. Ele reconheceu a falha de comunicação e sinalizou que o assunto será levado à próxima assembleia para ser votado. "Vamos colocar em pauta e resolver democraticamente", prometeu. Resta saber se a maioria dos condôminos vai enxergar a necessidade urgente de se adaptar ou se vão ficar presos a regras do passado.
Uma coisa é certa: este caso em Balneário Camboriú é um microcosmo de um debate muito maior. Com a frota de veículos elétricos crescendo a cada dia, os condomínios pelo Brasil afora vão ter que sair da inércia e encarar de frente essa nova realidade. A questão não é se vão ter que se adaptar, mas quando e como.